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TRF-4 impõe perda do cargo a Eduardo Appio, ex-juiz da Lava Jato suspeito de furto de champanhe

Vídeos mostram juiz do Paraná que atuou na Lava Jato furtando garrafas de champanhe A Corte Especial Administrativa do Tribunal Regional Federal da 4ª Regiã...

TRF-4 impõe perda do cargo a Eduardo Appio, ex-juiz da Lava Jato suspeito de furto de champanhe
TRF-4 impõe perda do cargo a Eduardo Appio, ex-juiz da Lava Jato suspeito de furto de champanhe (Foto: Reprodução)

Vídeos mostram juiz do Paraná que atuou na Lava Jato furtando garrafas de champanhe A Corte Especial Administrativa do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) determinou, nesta quinta-feira (27), a perda do cargo e a disponibilidade, sem direito a salário, ao juiz federal Eduardo Appio, suspeito de furtar garrafas de champanhe em um supermercado de Blumenau, Santa Catarina. A decisão foi tomada pela maioria dos desembargadores, por 15 votos a dois. Agora, ela segue para avaliação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que poderá confirmar ou não a perda do cargo. ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp Appio estava afastado provisoriamente do cargo há cerca de 8 meses, quando a suspeita do furto de garrafas de champanhe veio à tona, em outubro de 2025. Até então, o juiz atuava na vara responsável por processos previdenciários. Em 2023, o magistrado atuou nos processos da Lava Jato. Ele foi afastado da operação pelo CNJ e, posteriormente, teve a transferência definitiva da função. "São 32 anos de dedicação ao serviço público honesto, sem um único dia de licença. A decisão (tomada por maioria) é injusta e desproporcional. Tenho fé em Deus e nas instituições", afirmou Appio, em nota. O g1 procurou o advogado responsável pela defesa de Eduardo Appio e aguarda resposta. Juiz federal Eduardo Appio Reprodução/Justiça Federal LEIA TAMBÉM: Família encontrada morta: Último contato deles foi dois dias antes de os corpos serem achados Investigação: Ossadas enterradas são de primas que estavam desaparecidas 'Não deixe entrar': Mulher usa prontuário de hospital para escrever pedido de socorro Suposto furto foi filmado Nas imagens captadas no mercado é possível observar o juiz circulando entre os corredores de camiseta azul e bermuda. Ele para no setor de bebidas e pega uma garrafa de champanhe francesa. Ele continua andando pelo mercado com a garrafa na mão e, em seguida, coloca a garrafa em uma sacola. Depois, desce pela rampa rumo ao estacionamento, mas é abordado por dois seguranças antes de sair e volta ao supermercado acompanhado por eles. Ele é levado a uma sala e um dos seguranças retira a garrafa da sacola e a coloca em cima da mesa. O juiz mostra um cartão aos funcionários, mas o caso foi levado à Polícia Civil de Santa Catarina. Segundo as investigações, esta não foi a primeira vez que Appio cometeu furto de uma champanhe. As imagens mostram outros dois episódios do mesmo crime. Vídeos mostram juiz do Paraná que atuou na Lava Jato furtando garrafas de champanhe Reprodução As investigações apontam que o primeiro caso foi no dia 20 de setembro. Nas imagens é possível ver Appio pegando uma garrafa enquanto segura sacolas. Em outro corredor, ele se abaixa e mexe nas sacolas. Na sequência, ele vai embora, passando direto pelo caixa, sem pagar nada. Em outro registro, no dia 4 de outubro, é possível ver o juiz em frente à gôndola de bebidas, segurando algumas sacolas. Ele pega uma garrafa da mesma marca. Outra câmera registra Appio passando um urso de pelúcia no caixa, mas é possível ver uma garrafa dentro de uma das sacolas. Depois de passar pelo caixa, ele vai embora. Vídeos mostram juiz do Paraná que atuou na Lava Jato furtando garrafas de champanhe Reprodução Placa do veículo ajudou a identificar o juiz A investigação chegou ao nome do magistrado a partir de um boletim de ocorrência que relatava o furto de duas garrafas de champanhe Moët. O documento cita que o suspeito deixou o local do crime em um carro cuja placa estaria no nome do juiz. Segundo o documento, o autor do crime seria "um senhor com idade aproximada de 72 anos, que utiliza óculos e possui estatura aproximada de 1,76m" e diz que, após o delito, o suspeito "deixou o local conduzindo um veículo Jeep Compass Longitude D". O supervisor do supermercado também descreveu a placa do carro. Ao consultar o registro, a polícia constatou que o veículo pertencia a Appio. Após o juiz ser apontado como suspeito do furto, a Polícia Civil passou o caso para o TRF, uma vez que apenas o órgão pode investigar magistrados de primeiro grau. Afastamento da Lava Jato Justiça Federal do Paraná - 13ª Vara Federal de Curitiba Divulgação/Justiça Federal do Paraná Em fevereiro de 2023, Appio assumiu a 13ª Vara Federal de Curitiba, berço da Operação Lava Jato, substituindo o ex-juiz Sergio Moro. Porém, cerca de dois meses depois, o juiz foi afastado após uma representação do desembargador federal Marcelo Malucelli, que afirmou que o filho dele, João Eduardo Barreto Malucelli, recebeu uma ligação telefônica com "ameaças" feitas por Appio. João Eduardo Barreto Malucelli é sócio de Moro. O pai dele, Marcelo Malucelli, se declarou suspeito para analisar casos que envolvem a Lava Jato em abril daquele ano. ENTENDA: Por que Eduardo Appio foi afastado da 13ª Vara Federal de Curitiba? De acordo com o Conselho do TRF-4, há indícios de que Appio tenha feito o telefonema para o filho de Marcelo Malucelli. Em janeiro de 2024, o CNJ arquivou o processo disciplinar instaurado contra Appio por este episódio, dois meses após o magistrado firmar um acordo no qual admite que teve conduta imprópria – sem detalhar qual foi a conduta. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.

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