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TikTok é usado por criminosos para promover a venda de conteúdo de abuso sexual infantil no Telegram; g1 monitorou perfis

⚠️ Aviso: esta reportagem contém conteúdo sensível sobre abuso sexual infantil. Ao final dela, veja como denunciar casos desse tipo. Criminosos usam TikT...

TikTok é usado por criminosos para promover a venda de conteúdo de abuso sexual infantil no Telegram; g1 monitorou perfis
TikTok é usado por criminosos para promover a venda de conteúdo de abuso sexual infantil no Telegram; g1 monitorou perfis (Foto: Reprodução)

⚠️ Aviso: esta reportagem contém conteúdo sensível sobre abuso sexual infantil. Ao final dela, veja como denunciar casos desse tipo. Criminosos usam TikTok para promover de conteúdo de abuso sexual infantil no Telegram Criminosos estão usando publicações no TikTok para promover a venda de conteúdo de abuso sexual infantil. A divulgação ocorre nos comentários das postagens, em que os criminosos usam códigos para driblar a fiscalização da plataforma e direcionar os interessados ao material anunciado. O g1 monitorou, por semanas, mais de 30 perfis no TikTok e identificou que os interessados são direcionados ao Telegram, onde o material é comercializado em pacotes com fotos e vídeos. (saiba abaixo mais detalhes) 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Não é a primeira vez que o TikTok é usado por criminosos dessa forma. No início deste ano, o g1 mostrou que grupos supremacistas usavam a rede social para exaltar Hitler e o nazismo por meio de códigos e publicações explícitas. ⚠️ Os termos e códigos usados no TikTok para divulgar conteúdo de abuso sexual infantil não serão divulgados nesta reportagem para evitar sua propagação. No Telegram, os criminosos anunciam diferentes tipos de conteúdo, incluindo cenas de estupro e material envolvendo adolescentes. Os pagamentos costumam ser feitos por criptomoedas (moedas digitais) ou PIX, a partir de R$ 10. Os valores são baixos porque há muitas pessoas comercializando materiais semelhantes, o que leva à redução dos preços para competir entre si. (saiba mais abaixo) Antes de concluir a venda, eles costumam oferecer amostras gratuitas para conquistar a confiança do comprador e comprovar que têm o material anunciado. 📲 No Telegram, as vendas desses materiais ocorrem de três formas: a negociação é feita em conversas com um bot (robô), embora uma pessoa também possa intervir para responder às perguntas dos compradores; a negociação ocorre diretamente com o criminoso, em uma conversa privada; O conteúdo é vendido por meio de sites criados dentro do próprio Telegram, usando os chamados "miniapps", recursos da plataforma desenvolvidos com a linguagem de programação JavaScript. Na prática, eles permitem criar e abrir uma página semelhante a um site dentro do aplicativo, sem que o usuário precise sair do Telegram. (veja um exemplo na imagem abaixo) Exemplo de miniapp do Telegram que comercializa material de abuso sexual infantil. Reprodução/Telegram O acesso, a produção e a divulgação de conteúdo de abuso sexual infantil são crimes no Brasil, reforça Ana Cláudia Cifali, coordenadora jurídica do Instituto Alana, ONG voltada à proteção dos direitos das crianças. Tanto os responsáveis por esse tipo de conteúdo quanto as plataformas podem ser responsabilizados. (veja abaixo as penas) "A proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital tem como base o artigo 227 da Constituição Federal. Embora o ECA Digital tenha reforçado essa proteção, as condutas criminosas já estavam tipificadas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) desde 2008, quando foram estabelecidas penas mais duras para crimes de abuso sexual infantil", afirma a especialista. Procurado, o Telegram afirmou que proíbe o compartilhamento de conteúdo de abuso sexual infantil e que, apenas neste ano, excluiu mais de 300 mil grupos e canais relacionados a esse tipo de material. O TikTok disse que remove essas postagens rapidamente e bane as contas envolvidas. "Utilizamos tecnologia de ponta e sistemas robustos para monitorar e remover qualquer conteúdo que tente explorar ou causar danos a jovens", completou. As notas enviadas pelas empresas ao g1 estão, na íntegra, no final desta reportagem. Criminosos vendem pacotes de vídeos de abuso sexual infantil por R$ 10 no Telegram e usam PIX para receber pagamentos Arte/g1 O TikTok é usado por criminosos como porta de entrada para atrair pessoas interessadas em conteúdo de abuso sexual infantil. Para isso, eles publicam vídeos que nem sempre têm relação aparente com o material anunciado. Um deles, por exemplo, mostra apenas um gato dançando. Há, porém, publicações que fazem referências mais claras ao conteúdo oferecido, como vídeos com crianças. Outro exibe uma versão criada por inteligência artificial do bilionário Jeffrey Epstein dizendo ter criado um grupo em que seria possível "enviar de tudo". ➡️ Todos têm um ponto em comum: os comentários estão repletos de códigos usados para direcionar os interessados até os criminosos, no Telegram. Vídeo de IA do bilionário Jeffrey Epstein com vários comentários de divulgação de links e canal no Telegram para acessar conteúdo de abuso sexual infantil. Reprodução/TikTok Os comentários dos interessados nem sempre são respondidos pelo autor do vídeo. Em vários casos, outras contas aparentemente envolvidas na prática criminosa interagem com os usuários que demonstram interesse. Algumas delas, por exemplo, orientam os interessados a consultar informações disponíveis na bio de seus perfis. Até mesmo quem procura por esse material ilegal também usa códigos nos comentários para sinalizar que quer saber mais sobre o conteúdo, em vez de fazer pedidos de forma explícita. O g1 localizou ao menos 35 links publicados no TikTok que direcionam para a venda de conteúdo de abuso sexual infantil. A maior parte leva ao Telegram. Quando há um link, ele geralmente contém a palavra invite ("convite", em inglês), seguida de um código. Ao acessar o endereço, o usuário precisa informar essa sequência para entrar em uma página dentro do Telegram, onde é exibida uma prévia do conteúdo anunciado. Em outros casos, a negociação ocorre diretamente por meio de bots ou de conversas com os criminosos dentro do Telegram. Em uma das páginas verificadas pelo g1, os envolvidos incentivam compradores a divulgar links no TikTok em troca de acesso gratuito a novos conteúdos. A estratégia amplia o alcance do esquema e transforma os próprios interessados em divulgadores do material. (veja na imagem abaixo) Site incentiva compartilhamento de link no TikTok para liberar material sem custo Reprodução A maioria dos comentários encontrados pelo g1 no TikTok estava em espanhol, mas também havia muitos em português. Não é possível, porém, confirmar a localização dessas contas, já que a plataforma não informa o país de origem dos perfis. O g1 consultou o site Tikip.us, que reúne dados públicos e estima a localização de contas do TikTok. Segundo a plataforma, a maior parte dos perfis monitorados estaria na Europa, principalmente na Espanha, em Portugal e na Polônia. Em alguns casos, o TikTok chegou a bloquear buscas ao identificar que as frases pesquisadas estavam relacionadas a esse tipo de crime. Em outros, porém, códigos diferentes continuavam levando a publicações sem restrições. Pagamento até por PIX TikTok é usado por criminosos para promover a venda de conteúdo de abuso sexual infantil no Telegram; g1 monitorou perfis Reprodução/Telegram Em um dos sites monitorados pelo g1, um dos pacotes custa US$ 25 (cerca de R$ 130) e dá acesso a um grupo privado no Telegram com milhares de vídeos. No mesmo endereço, outros pacotes são vendidos por US$ 11,99 (cerca de R$ 62) e US$ 17,50 (cerca de R$ 90), com diferentes quantidades de conteúdo. Alguns vendedores aceitam pagamentos em criptomoedas, como bitcoin e ether. O g1 também encontrou canais no Telegram em que os criminosos aceitam PIX como forma de pagamento. Em um deles, um pacote com 3 GB de vídeos e fotos custa R$ 10, enquanto outro, com 15 GB, é vendido por R$ 35. Criminoso vende conteúdo de abuso sexual em chat no Telegram. Reprodução/Telegram Os grupos também anunciam diferentes categorias de conteúdo de abuso sexual infantil, incluindo material com violência sexual. Um deles afirma ser um dos maiores do Brasil e promete receber material de diferentes fontes, além de garantir a confidencialidade dos compradores. Antes da compra, os criminosos costumam enviar uma prévia do conteúdo por meio de um vídeo autodestrutivo, que é apagado após a primeira visualização. Depois, eles fornecem uma chave PIX e, após a confirmação do pagamento, enviam os arquivos na própria conversa. Para investigadores da Polícia Federal (PF) ouvidos pelo g1, o uso do PIX nesse tipo de crime mostra a sensação de segurança dos criminosos. Muitos usam contas de terceiros, de laranjas ou até de ex-namoradas. Criminoso usa PIX para vender conteúdo de abuso sexual infantil e diz que comprador não será rastreado. Reprodução Em uma das interações, um criminoso que diz ser do Brasil admite usar a conta bancária de uma "menina" e diz que ela provavelmente será bloqueada. Ele garante, porém, que a transação do interessado não será rastreada, o que não é verdade, segundo a Polícia Federal. (veja na imagem acima) Embora os criminosos se sintam seguros ao usar o PIX, a transação deixa rastros que podem ajudar na investigação. Os dados da conta de quem faz o pagamento ficam registrados e podem ser usados pela polícia para identificar os compradores. Além disso, bancos tradicionais geralmente identificam como suspeitas transações atípicas ou realizadas a partir de diferentes regiões e, nesses casos, podem bloquear as contas. Lei brasileira prevê pena de até 10 anos Desde o início de agosto, uma nova lei prevê penas mais duras para crimes envolvendo conteúdo de violência sexual contra crianças e adolescentes. Para quem produz ou vende esse material, a pena passou a ser de 4 a 10 anos de reclusão, além de multa. Para quem adquire, possui ou mantém o conteúdo, a punição é de 3 a 6 anos de reclusão e multa. "A legislação passa a punir também quem solicita ou acessa conteúdos de violência sexual contra crianças e adolescentes em apps de internet, serviços de streaming ou outros meios digitais", diz o governo. As novas regras foram sancionadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 6 de agosto de 2026. O texto teve origem em projeto de autoria do deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) e foi aprovado pelo Senado em 7 de julho. "Desde quem produz até quem vende e quem recebe, toda essa cadeia está passível de ser responsabilizada e deve ser responsabilizada por esse crime", defende Ana Cláudia Cifali, do Instituto Alana. A nova lei define como conteúdo de violência sexual contra crianças e adolescentes qualquer representação, por meio de registro audiovisual, que envolva criança ou adolescente, real ou fictício, em atividades sexuais explícitas, reais ou simuladas, incluindo conteúdos gerados por IA. Com a mudança, a legislação passa a classificar esse tipo de material como "violência sexual contra criança ou adolescente", em vez de usar o termo "pornografia". A alteração acompanha uma discussão internacional sobre o uso desse termo, considerado por especialistas e organizações insuficiente para descrever a gravidade da violência praticada contra menores de idade. E nas outras redes sociais? O g1 também testou no Instagram os mesmos códigos pesquisados no TikTok. A plataforma da Meta não exibiu publicações nem comentários semelhantes aos encontrados na rede rival. Uma leitora do g1, que também denunciou esse esquema, afirmou que tentou localizar publicações semelhantes no Instagram, mas teve mais dificuldade. Segundo ela, isso ocorreu porque os "filtros deles são mais rígidos". Procurada, a Meta não comentou sobre seus filtros e disse que "emprega amplos esforços, incluindo o investimento em tecnologia, para detectar proativamente potenciais violações às suas regras e tomar as medidas cabíveis". (veja a nota abaixo) O TikTok, no entanto, não é o único caminho usado pelos criminosos, afirma Thiago Tavares, presidente da SaferNet Brasil, ONG que atua na defesa dos direitos humanos na internet. Segundo ele, a mesma estratégia é usada em plataformas como X, YouTube e Facebook. A ONG diz compartilhar com as plataformas os termos usados pelos criminosos para ajudar na identificação desse tipo de prática. Recentemente, a SaferNet entregou à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) um levantamento com cerca de 1.093 contas do Telegram com indícios de material de abuso sexual infantil. A ONG denuncia há anos casos de exploração sexual de crianças e adolescentes na plataforma. Os registros de produção, posse ou distribuição de material de abuso sexual infantil têm aumentado ano a ano no Brasil. De acordo com o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, foram registrados 4.063 casos em 2025, um aumento de 23% em relação ao ano anterior, quando foram 3.280. Ainda segundo o Anuário, 34,2% dos autores denunciados às polícias civis por crimes relacionados a material de abuso sexual infantil eram adolescentes — ou seja, cerca de 1 em cada 3. "É impressionante como, em poucos segundos, foi possível chegar a esse material. Isso mostra como as redes sociais acabam servindo de porta de entrada para diferentes formas de aliciamento", afirma Cauê Martins, coordenador de Infância e Juventude do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O que dizem os envolvidos Telegram "A distribuição de material de abuso sexual infantil é expressamente proibida pelos termos de serviço do Telegram, e dedicamos esforços significativos para erradicá-la de nossa plataforma. Mais de 339.760 grupos e canais relacionados a material de abuso sexual infantil foram removidos em 2026. Além da moderação humana, o Telegram escaneia todas as mídias enviadas para sua plataforma pública, comparando-as com um banco de dados de hashes de conteúdo de material de abuso sexual infantil previamente removido por moderadores, complementado por conjuntos de dados da Internet Watch Foundation e denúncias de ONGs de todo o mundo. Como resultado desses esforços, o Telegram praticamente eliminou a disseminação pública de material de abuso sexual infantil em sua plataforma. O fato de agentes maliciosos precisarem anunciar em outras plataformas significa que eles não conseguem existir publicamente no Telegram como resultado dos esforços de moderação do Telegram. Estatísticas diárias e mais informações: Telegram.org/safety" TikTok "Removemos esse conteúdo rapidamente e banimos permanentemente as contas envolvidas. Utilizamos tecnologia de ponta e sistemas robustos para monitorar e remover qualquer conteúdo que tente explorar ou causar danos a jovens. Não permitimos conteúdos que retratem ou disseminem o abuso ou a exploração sexual infantil. Quando tomamos conhecimento de qualquer conteúdo desse tipo — seja por meio dos nossos próprios métodos de detecção, denúncias da comunidade ou parcerias com a indústria —, agimos imediatamente para removê-lo, banir as contas envolvidas e reportar os casos ao NCMEC (em português: Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas). Dados do Nosso Relatório de Aplicação das Diretrizes da Comunidade mais recente, do primeiro trimestre de 2026, demonstram a eficácia dos nossos sistemas em fazer cumprir nossas regras. 99,8% dos conteúdos que violaram nossas políticas sobre abuso sexual e físico de jovens foram removidos proativamente da plataforma." Meta "A Meta tem regras contra exploração sexual, abuso e nudez infantil, nudez e atividade sexual de adultos e exploração sexual de adultos. A empresa emprega amplos esforços, incluindo o investimento em tecnologia, para detectar proativamente potenciais violações às suas regras e tomar as medidas cabíveis." Como denunciar casos de violência infanto-juvenil Polícia Militar - 190: quando a criança está correndo risco imediato; Samu - 192: para pedidos de socorro urgentes; Delegacias especializadas no atendimento de crianças ou de mulheres; Qualquer delegacia de polícia; Disque 100: recebe denúncias de violações de direitos humanos. A denúncia é anônima e pode ser feita por qualquer pessoa; Profissionais de saúde: médicos, enfermeiros, psicólogos, entre outros, precisam fazer notificação compulsória em casos de suspeita de violência. Essa notificação é encaminhada aos conselhos tutelares e à polícia; WhatsApp do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos: (61) 99656-5008; Ministério Público; Videochamada em Língua Brasileira de Sinais (Libras) TikTok vira reduto de perfis que exaltam Hitler e o nazismo Sistemas de câmeras usam inteligência artificial e prometem se antecipar a crimes

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