cover
Tocando Agora:

Visitantes

3 Online
274605 Visitas

Serviço do PicPay contratado pelo GDF foi suspenso após suspeita de descontos irregulares em salários

Escritório de Ibaneis Rocha recebeu pagamentos milionários do grupo J&F após contrato fechado com GDF O serviço de adiantamento salarial oferecido pelo banc...

Serviço do PicPay contratado pelo GDF foi suspenso após suspeita de descontos irregulares em salários
Serviço do PicPay contratado pelo GDF foi suspenso após suspeita de descontos irregulares em salários (Foto: Reprodução)

Escritório de Ibaneis Rocha recebeu pagamentos milionários do grupo J&F após contrato fechado com GDF O serviço de adiantamento salarial oferecido pelo banco digital PicPay, do grupo J&F, foi suspenso pela Secretaria de Economia do Distrito Federal após o Tribunal de Contas do DF apontar suspeitas de descontos irregulares ao servidores. O contrato entrou na mira da CPMI do INSS após informativos feitos pelo Banco Santander ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontarem que o escritório que leva o nome do governador Ibaneis Rocha recebeu R$ 1 milhão do grupo J&F quatro dias após o cadastro do PicPay junto ao GDF (veja detalhes abaixo). ➡️ A CPMI do INSS passou a investigar transações feitas pelo PicPay porque a empresa foi a única, entre as quatro firmas habilitadas, a realmente operar o programa "Meu INSS Vale+" – suspenso após cinco meses de operação por suspeitas de irregularidades. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. Taxa x juros De acordo com o Tribunal de Contas, o PicPay cobrava dos servidores uma "taxa de antecipação" pelo uso do recurso – mesmo dizendo ser uma operação "sem juros". "Independentemente da nomenclatura utilizada, possui a natureza econômica de custo do crédito, sendo, para todos os efeitos, uma forma de juro", aponta o documento. Ao Tribunal de Contas, o PicPay afirmou que, caso o servidor optasse pelo recebimento do adiantamento diretamente em uma conta do banco digital, seria "cobrado dos servidores um valor fixo em reais, a título de taxa de antecipação, que em hipótese alguma se confunde com juros". Em nota, o PicPay negou que haja descontos irregulares e afirmou que o adiantamento pode ser recebido sem tarifa via cartão (veja íntegra abaixo). Aumento de adesões Tribunal de Contas do DF (TCDF) TV Globo/Reprodução O Tribunal de Contas aponta ainda para o crescimento "acentuado e de alto volume" na adesão ao adiantamento salarial oferecido pelo Picpay. Em cerca de dois anos, R$ 81,6 milhões foram movimentados pelo serviço. 2024: R$ 11.725.787,92; 2025 (parcial): R$ 70.061.396,98. À Corte, a Secretaria de Economia justificou o aumento pelo "fato de a operação ter se iniciado apenas em outubro de 2024, com maior divulgação e conhecimento do produto ao longo do ano seguinte". Diante dos resultados apurados pelo relatório, o Tribunal de Contas recomendou a suspensão dos novos descontos, o que já foi acatado pela Secretaria de Economia. A Corte indicou ainda que o adiantamento seja classificado como consignação facultativa, ou seja, quando o servidor precisa autorizar os descontos. Repasses da J&F O escritório de advocacia de Ibaneis Rocha recebeu R$ 1 milhão do grupo J&F, que controla o banco digital PicPay, quatro dias após o GDF cadastrar o PicPay para oferecer crédito consignado para servidores. Nos doze meses contados a partir da autorização, entre outubro de 2024 e outubro de 2025, o escritório Ibaneis Advocacia e Consultoria recebeu R$ 34 milhões da J&F em 15 operações. De acordo com os dados informados pelo banco, os primeiros pagamentos feitos ao escritório de advocacia apontam um padrão: no começo de cada mês, a J&F enviava R$ 1 milhão. Além disso, há um pagamento de R$ 5 milhões no meio do mês de dezembro de 2024. R$ 1 milhão em 04/10/2024; R$ 1 milhão em 07/11/2024; R$ 1 milhão em 04/12/2024; R$ 5 milhões em 16/12/2024; R$ 1 milhão em 06/01/2025. Os documentos apontam que o contrato foi assinado em 16 de setembro. No entanto, de acordo com o Diário Oficial do DF, apenas em 30 de setembro foi publicado o despacho credenciando o banco para que os servidores pudessem fazer a contratação de crédito. O que diz o PicPay "O PicPay esclarece que o produto mencionado se trata de um adiantamento voluntário de parte do próprio salário. Não há qualquer indício ou suspeita de descontos irregulares. O usuário pode realizar o adiantamento por meio do recebimento via cartão, sem nenhuma cobrança, ou pode escolher receber em conta corrente, que tem uma tarifa associada. A taxa opcional para recebimento em conta é o único ponto objeto de discussão no DF. O PicPay está à disposição para prestar estes e outros esclarecimentos e lamenta que os servidores do Distrito Federal estejam sem acesso a esse benefício gratuito em um momento de taxas de juros tão elevadas." O que diz a Secretaria de Economia do DF "A Secretaria de Economia (Seec-DF) informa que firmou um termo de compromisso com o PicPay com o objetivo de oferecer aos servidores e empregados públicos distritais uma alternativa de antecipação salarial sem cobrança de juros. O modelo proposto, operacionalizado por meio do aplicativo do próprio PicPay, permite a antecipação de parte da remuneração, com posterior desconto em folha de pagamento. O valor antecipado é devolvido diretamente no contracheque, sem incidência de juros. No momento, o modelo está sob análise do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), especialmente no que se refere à sistemática de desconto em folha. Diante disso, a Secretaria decidiu suspender temporariamente novos adiantamentos até que haja um posicionamento do órgão de controle." O que diz a J&F "Caso os relatórios mencionados pela reportagem existam, configuram um grave crime de quebra ilegal de sigilo bancário que as autoridades competentes têm o dever de investigar. O escritório mencionado defende o grupo em mais de 500 processos, há mais de uma década. Não há qualquer relação entre eventuais pagamentos ao escritório e ações do Governo do Distrito Federal e a reportagem faz uma ilação baseada em informações que não sustentam essa tese." O que diz o escritório Ibaneis Advocacia e Consultoria "O escritório Ibaneis Advocacia e Consultoria, o qual conta com mais de trinta anos de atuação íntegra e de reconhecido comprometimento técnico, prestou e presta serviços advocatícios para o referido grupo em centenas de ações judiciais em múltiplas esferas. O escritório, ao longo das últimas décadas em que defendeu direitos fundamentais, já representou milhares de pessoas físicas e jurídicas, sempre prezando pela atuação técnica e pelo respeito à legislação nacional, inclusive ao dever legal de confidencialidade imposto aos advogados. Registra-se o repúdio à tentativa de criminalizar a advocacia, sem a qual não há de se falar em Estado Democrático de Direito." Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

Fale Conosco