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Plano de cuidado permite que pacientes decidam sobre tratamentos antes do avanço do Alzheimer: 'São nossas escolhas', diz advogada

Remédios são utilizados para controlar o Alzheimer Reprodução/TV Anhanguera O Alzheimer é uma doença que atinge o cérebro de forma degenerativa em milhar...

Plano de cuidado permite que pacientes decidam sobre tratamentos antes do avanço do Alzheimer: 'São nossas escolhas', diz advogada
Plano de cuidado permite que pacientes decidam sobre tratamentos antes do avanço do Alzheimer: 'São nossas escolhas', diz advogada (Foto: Reprodução)

Remédios são utilizados para controlar o Alzheimer Reprodução/TV Anhanguera O Alzheimer é uma doença que atinge o cérebro de forma degenerativa em milhares de pessoas. Com o passar do tempo, a pessoa diagnosticada pode acabar tendo cada vez mais falhas de memória e, consequentemente, perdendo a capacidade de tomar decisões por conta própria. A doença tem atingido cada vez mais pessoas. Em Itapetininga (SP), o atendimento às pessoas diagnosticadas com Alzheimer na rede pública de saúde cresceu de 120 para 131 atendimentos entre 2024 e 2025, registrando um aumento de 9,1%. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp Pensando no crescimento de casos e atendimentos, especialistas têm reforçado a existência do Plano Avançado de Cuidado (PAC), previsto na Política Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP). O projeto permite que o paciente tenha a oportunidade de registrar, antes das limitações de suas capacidades, as preferências sobre tratamentos e cuidados futuros. A advogada e pesquisadora Nelma Melgaço afirma que o plano pode ser uma alternativa essencial em caso de diagnósticos, já que a doença ainda não possui cura. Assim, quem estiver responsável pelos cuidados paliativos poderá fazer escolhas de acordo com o que o paciente gostaria de fazer. Veja os vídeos que estão em alta no g1 "É importante que, por meio das conversas nas consultas do ambulatório, seja estimulado que os pacientes falem sobre seus valores, necessidades e que elas sejam registradas. No futuro, quando os cuidadores tomarem certas decisões, será possível recorrer ao que foi registrado, para seguir em consonância com o que o pacietne gostaria", diz. Ela alega que, apesar da tecnologia estar cada vez mais desenvolvida e poder ajudar a prolongar a vida, essa pode não ser a escolha ideal do paciente. O plano, de acordo com a advogada, é um direito à autodeterminação. "Um exemplo muito prático é voltado à tecnologia e seu desenvolvimento ao prolongar a vida ao máximo. Mas, será que é isso que o paciente gostaria? Ou ele quer uma morte natural? A PNCP fala muito do direito à autodeterminação. São nossas escolhas e nós temos o direito de deixá-las registradas", pontua. "Muitas vezes, o paciente não sabe o nome de todos os aparelhos e muitos falam que não querem viver. Alguns falam que desejam morrer naturalmente, outros falam que preferem não ter dores. Isso já direciona os familiares e a equipe até onde usar a tecnologia. Muitas vezes, a pessoa só quer o manejo da dor", completa. Neste mês, o Governo Federal sancionou uma lei que institui o Estatuto dos Direitos do Paciente. Nelma afirma que, apesar das questões para uma pessoa com Alzheimer envolverem diversos âmbitos, como o financeiro, o PAC é voltado apenas para assuntos de saúde. "O plano avançado é especificamente para a saúde do paciente, da tomada de decisão nos cuidados em saúde. O estatuto permite que a pessoa possa escolher um curador, em casos em que não há familiares. O paciente, na maioria das vezes, é acompanhado por um familiar ou um amigo muito íntimo", esclarece. Nelma é doutoranda na UnB Divulgação A doutoranda em Bioética e Direitos Humanos pela Universidade de Brasília (UnB) explica que, para caracterizar uma pessoa como incapaz de tomar decisões, é necessária a avaliação de diversos profissionais da área da saúde. Entre eles, estão psiquiatras e neurologistas. "Eu fiz um livro sobre o PAC, onde destaquei a prática dele em diferentes países que já possuem ele como política pública. É muito importante que o paciente tenha controle sobre a vida. No caso do meu pai, eu segui exatamente o que ele queria. Isso contribui até para conviver melhor com o mundo, com uma paz de espírito de ter feito exatamente o que o paciente quer", opina. Nelma prossegue dizendo que, com a promulgação do estatuto, o PAC se torna uma segurança para o paciente e, também, para o médico responsável. Em tese, ele deve ser oferecido pelo hospital que realiza os cuidados paliativos. "A lei do estatuto contribui para uma segurança jurídica e do médico poder falar 'não, eu vou seguir exatamente do jeito que o paciente quer'. O plano deve ser oferecido pelo próprio hospital que concede os cuidados paliativos. Aí entra a importância da educação. Imagina quantas pessoas poedm chegar ao hospital e dizerem que podem ter um plano", comenta. "É muito importante destacar que o Sistema Único de Saúde (SUS) possui medicamentos disponíveis para retardar o avanço da doença. As pessoas reclamam tanto, mas o SUS tem esse medicamento e ele é muito importante que seja usado para, ao menos, ajudar no tratamento do Alzheimer", complementa. O que é o Alzheimer? Ao g1, o neurologista Fernando Fassina explica que a doença de Alzheimer foi descoberta em 1906, por meio da análise do tecido cerebral de uma paciente. Segundo ele, a pessoa pode chegar a um estado muito próximo do vegetativo. "O Alzheimer foi descoberto por um médico chamado Alois Alzheimer. É uma doença neurodegenerativa progressiva, causada por um distúrbio no metabolismo da proteína beta amiloide e da proteína tau. Ela leva à progressiva deterioração cognitiva e comportamental até chegar em num quadro semelhante a um estado vegetativo", explica. De acordo com ele, a elaboração do PAC vai além do olhar medicinal. Fernando pontua que o assunto é muito mais complexo e envolve debates morais e éticos. "Este aspecto é muito mais complexo do que a medicina se propõe a cuidar. O plano de cuidado envolve valores éticos, morais e culturais que, por si só, já seriam temas de outras discussões", analisa. Fernando diz que o debate vai além do olhar medicinal Arquivo pessoal O profissional prossegue dizendo que o aumento de casos está diretamente relacionado ao envelhecimento populacional cada vez maior. Mesmo sendo uma doença sem cura, há diversas formas de prevenção durante a vida. "Hábitos saudáveis, como atividade física regular, alimentação saudável e atividade intelectual podem ajudar na prevenção. Leitura, atividades de aprendizagem, vida social ativa e o controle de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão arterial, ajudam muito", destaca. O principal sintoma da doença de Alzheimer é a perda de memória. No entanto, Fernando alerta que há uma grande diferença entre o diagnóstico de fato e um "simples esquecimento". "O esquecimento pode vir de várias causas, como envelhecimento e doenças crônicas descompensadas, como diabetes, alcoolismo, hipotireoidismo e déficit de vitaminas. Sífilis terciária, insuficiência hepática, distúrbios hidroeletrolíticos também podem causar essa falta de memória, mas não necessariamente o Alzheimer", reforça. Entre os primeiros sinais da doença, estão o comprometimento progressivo da memória recente, episódios de confusão mental, repetição de perguntas, desorientação, dificuldade de fazer tarefas simples e alterações de humor. O diagnóstico, na maioria das vezes, é feito com uma avaliação da história do paciente. "O diagnóstico é feito principalmente por meio da história do paciente e seus sintomas, com análise das alterações mentais com avaliações neuropsicológicas e a realização de exames, como ressonância magnética e a análise de proteínas do líquido da espinha", finaliza. Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

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