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Paciente que perdeu movimentos recebe tratamento com polilaminina em Salvador: 'Reacendeu minha fé'

Paciente baleado recebe tratamento com polilaminina para lesão medular em hospital de Salvador Stephanie Venâncio O operador de logística Paulo Araújo, de 3...

Paciente que perdeu movimentos recebe tratamento com polilaminina em Salvador: 'Reacendeu minha fé'
Paciente que perdeu movimentos recebe tratamento com polilaminina em Salvador: 'Reacendeu minha fé' (Foto: Reprodução)

Paciente baleado recebe tratamento com polilaminina para lesão medular em hospital de Salvador Stephanie Venâncio O operador de logística Paulo Araújo, de 38 anos, tornou-se, nesta sexta-feira (6), o segundo paciente da Bahia a receber um tratamento experimental com a enzima polilaminina, considerada por pesquisadores uma das abordagens promissoras para lesões medulares agudas. O procedimento foi realizado no Hospital Mater Dei Salvador (HMDS) e é o primeiro caso conduzido em um hospital privado do estado dentro do protocolo de pesquisa autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Paulo sofreu uma perfuração por arma de fogo ao sair do trabalho durante uma tentativa de assalto, em dezembro de 2025. O projétil atingiu as costas e provocou uma lesão raquimedular completa na altura da vértebra T2, o que levou à perda dos movimentos do peito para baixo e o deixou paraplégico. Após conhecer o tratamento por meio de uma reportagem, ele entrou em contato com a farmacêutica responsável pela pesquisa e conseguiu se enquadrar no protocolo experimental, autorizado pela Anvisa e pelo laboratório responsável pelo desenvolvimento da enzima. O procedimento foi conduzido pelo neurocirurgião Marco Aurélio Brás de Lima, do Rio de Janeiro, e pelo cirurgião de coluna do Hospital Mater Dei, Fabrício Guedes, com apoio de uma equipe multidisciplinar. Segundo o especialista, a aplicação da enzima foi feita diretamente na medula espinhal. “A aplicação foi feita por meio de agulhas especiais posicionadas na região da lesão. Como o dano medular é extenso, realizamos a aplicação de forma fracionada em diferentes pontos da área afetada, com o objetivo de ampliar a distribuição da substância e favorecer o ambiente de regeneração neural”, explicou o médico. Ao g1, o médico Fabrício Guedes, disse que o prazo de 72 horas citado em estudos não está relacionado especificamente à ação da enzima polilaminina, mas ao tempo considerado ideal para o tratamento de lesões na medula. "Nesse período, a recomendação é realizar a cirurgia para descomprimir e estabilizar a coluna, o que aumenta as chances de recuperação neurológica. No caso de Paulo, esse procedimento foi feito dentro das primeiras 72 horas após o ferimento por arma de fogo. Por isso, ele pôde ser incluído no estudo e receber posteriormente a aplicação da enzima, que pode ser administrada até 90 dias depois da lesão", falou o médico. O que a polilaminina pode fazer e o que ainda não se sabe sobre a substância A expectativa é que, após a aplicação, o paciente passe por um processo de reabilitação intensiva com fisioterapia especializada, etapa considerada essencial para estimular possíveis ganhos funcionais. “Trata-se de uma abordagem ainda experimental, indicada especialmente para lesões medulares agudas, nas quais há maior potencial de resposta biológica ao tratamento. A proposta é criar condições mais favoráveis para que o sistema nervoso volte a estabelecer conexões”, afirmou Fabrício Guedes. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia A enzima polilaminina vem sendo estudada em pesquisas brasileiras voltadas à regeneração de tecidos nervosos. A substância atua degradando componentes da cicatriz formada após a lesão medular, uma barreira biológica que dificulta a regeneração dos neurônios, permitindo que as fibras nervosas tenham maior possibilidade de reconectar-se. Resultados preliminares de estudos clínicos e experimentais indicam que alguns pacientes submetidos à terapia apresentaram melhoras parciais de sensibilidade e movimento, especialmente quando associadas a protocolos intensivos de reabilitação. “Embora ainda não seja possível falar em cura para lesões medulares completas, iniciativas como essa representam avanços importantes na busca por novas alternativas terapêuticas para pacientes com lesões medulares traumáticas recentes, que hoje ainda têm opções muito limitadas de tratamento”, destacou o médico. Para Paulo Araújo, participar do estudo representa uma nova possibilidade após meses de incerteza desde o episódio de violência que mudou sua vida. “Quando fui atingido, perdi os movimentos do peito para baixo e pensei que nunca mais teria esperança de recuperação. Conhecer esse tratamento e conseguir participar do estudo reacendeu minha fé e minha vontade de lutar”, contou. Ele afirma que vê no procedimento uma oportunidade não apenas pessoal, mas também de contribuir para o avanço da ciência. “Hoje tenho a oportunidade de ter esperança de voltar a ter movimentos. Creio que Deus está permitindo que novas portas se abram não só para mim, mas para muitas outras pessoas que enfrentam a mesma situação”, disse. Após a aplicação da enzima, o paciente seguirá em acompanhamento médico e participará de um programa específico de reabilitação. Os resultados serão monitorados ao longo dos próximos meses, período considerado crucial para avaliar possíveis respostas neurológicas ao tratamento. 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