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Há 1 ano, ex-funcionário revelou falhas na rotina de manutenções da Voepass: 'Poderia ter sido evitado'

EXCLUSIVO: ex-funcionário relata problemas em rotina de manutenções da Voepass O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aero...

Há 1 ano, ex-funcionário revelou falhas na rotina de manutenções da Voepass: 'Poderia ter sido evitado'
Há 1 ano, ex-funcionário revelou falhas na rotina de manutenções da Voepass: 'Poderia ter sido evitado' (Foto: Reprodução)

EXCLUSIVO: ex-funcionário relata problemas em rotina de manutenções da Voepass O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) sobre a queda do voo 2283 da Voepass, em Vinhedo (SP), apontou falhas no sistema de degelo da aeronave nos três voos anteriores ao acidente que matou 62 pessoas em 9 de agosto de 2024. O documento também cita a ausência de registros formais no diário técnico de bordo. Alguns desses problemas já haviam sido relatados no ano passado por um ex-funcionário da Voepass que atuava no setor de manutenção. Em entrevista ao g1, ele afirmou que uma falha no sistema de degelo foi comunicada verbalmente à equipe em Ribeirão Preto (SP), horas antes da decolagem para Cascavel (PR), mas não foi registrada no Technical Logbook (TLB), o diário técnico da aeronave. “Se o piloto reporta, essa aeronave tinha ficado aqui [em Ribeirão Preto] ou ela não teria ido para o destino final que ela foi. Então, assim, com certeza um acidente poderia ter sido evitado”, afirmou o ex-funcionário na entrevista. Faça parte do canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Em nota, a Voepass afirmou que sempre adotou procedimentos sérios de segurança, capacitação e orientação de tripulação, que a equipe do voo 2283 era experiente e certificada e que atua de forma transparente junto ao Cenipa e às autoridades (leia nota completa mais abaixo). O relatório do Cenipa tem finalidade preventiva e não busca atribuir responsabilidade civil ou criminal. Ex-funcionário, da Voepass, em entrevista exclusiva ao g1 Marcelo Moraes/EPTV O que o Cenipa apontou Na apresentação do relatório final, o Cenipa dividiu a análise em quatro voos da aeronave PS-VPB: os três anteriores ao acidente, chamados de “voo -3”, “voo -2” e “voo -1”, e o “voo 0”, que foi o voo 2283, de Cascavel a Guarulhos, que caiu em Vinhedo em 9 de agosto de 2024. Segundo o relatório, os dados da aeronave mostraram falha nos boots do sistema Airframe De-Icing, responsável por remover gelo de partes da estrutura do avião, no voo do acidente e nos três voos anteriores. No “voo -3”, feito de Guarulhos para Ribeirão Preto na noite anterior ao acidente, o Cenipa afirma que houve detecção de gelo com o sistema de degelo desligado. Depois que a tripulação acionou o Airframe De-Icing, surgiram alertas de falha no sistema. Simulação voo ATR da Voepass que caiu em Vinhedo foi apresentada durante relatório final do Cenipa Reprodução/Cenipa O relatório também diz que integrantes da manutenção noturna souberam, por comunicação verbal com pilotos, de uma falha no sistema durante esse voo, mas que não havia registro formal no TLB. Entre esse voo e o seguinte, foi feita uma inspeção de rotina em Ribeirão Preto, mas, segundo o Cenipa, esse procedimento não incluía teste funcional do sistema de degelo. No “voo -2”, de Ribeirão Preto para Guarulhos, o Cenipa apontou nova detecção de gelo, perda de desempenho, alerta de baixa velocidade de cruzeiro, falha no Airframe De-Icing, reset do sistema e ausência de registro da ocorrência no diário técnico. Segundo o relatório, essa falta de registro impediu novamente que a falha fosse identificada para os voos seguintes. Já no “voo -1”, de Guarulhos para Cascavel, operado pela mesma tripulação que depois faria o voo do acidente, o Cenipa apontou novas falhas e alertas relacionados ao gelo. O relatório diz que, apesar da quantidade de discrepâncias observadas, não foram encontrados registros no TLB nem comunicação formal entre a tripulação e a manutenção. De acordo com o Cenipa, a ausência de registro formal impediu que setores técnicos e operacionais da empresa aplicassem medidas para reduzir o risco, como despacho da aeronave sob restrições específicas, troca de avião, replanejamento de rota ou manutenção corretiva. LEIA MAIS EXCLUSIVO - Avião da Voepass que caiu há 1 ano teve falha omitida em diário de bordo horas antes de decolar, diz testemunha 'Maquiagem' em manutenção, omissão de panes: como era a 'cultura de desvios' da Voepass apontada pelo Cenipa Cenipa aponta 'cultura de normalização de desvios' na Voepass em relatório sobre acidente de 2024 Acidente Voepass: relembre queda de avião que matou 62 pessoas em 2024 Imagem aérea mostra trabalho nesta quarta-feira (14) nos destroços do avião da Voepass que caiu em Vinhedo (SP) e matou as 62 pessoas a bordo na última sexta (9) Reprodução/EPTV O que o ex-funcionário disse em 2025 Na reportagem publicada em 2025, o ex-funcionário disse que o piloto que levou a aeronave de Guarulhos para Ribeirão Preto na madrugada anterior ao acidente relatou verbalmente à manutenção que o sistema de degelo havia apresentado falha. Segundo ele, a aeronave chegou a Ribeirão Preto por volta de 1h e decolou novamente às 5h32. Nesse intervalo, ainda de acordo com o relato, a falha não foi investigada porque não havia registro formal no TLB. O ex-funcionário também relatou pressão para evitar que aeronaves ficassem paradas e disse que a falta de registro impedia a atuação da manutenção. “O próprio líder questionou: ‘bom, se ele não reportou em livro, não tem pane na aeronave’. Esse era o legado da empresa: se o comandante reporta, tem ação de manutenção; se não reportou, eles não vão perder tempo com nada que ele falar”, disse o ex-funcionário na entrevista. O relatório final do Cenipa aponta pontos semelhantes aos relatados pelo ex-funcionário, como comunicação verbal de falhas, ausência de registro formal no TLB e fragilidades na cultura de segurança da empresa. Aeronaves da Voepass em Ribeirão Preto (SP). Marcelo Moraes/EPTV O que diz a Voepass Leia a íntegra da nota enviada pela Voepass: “A queda do voo 2283, em 9 de agosto de 2024, foi o episódio mais difícil da história da VOEPASS. Desde o momento do acidente, a empresa esteve solidária às famílias das vítimas, compartilhando uma dor que permanece presente em sua memória. Em mais de 30 anos de operações na aviação brasileira, a companhia jamais havia enfrentado uma situação como essa. Ao longo de três décadas, sempre adotou procedimentos sérios de segurança, capacitação e orientação de tripulação. A atuação da empresa sempre esteve pautada em padrões de segurança internacionais, contando inclusive com a certificação IOSA desde 2012, um requisito de excelência operacional emitido apenas para empresas auditadas IATA. A tripulação do voo 2283 era experiente, capacitada e devidamente certificada, acumulando mais de 5.000 horas de voo e com treinamentos técnicos e acompanhamentos de saúde rigorosamente atualizados, sem qualquer registro prévio ou fator que impedisse sua atuação. Desde o início das apurações, a VOEPASS atua de forma transparente junto ao Cenipa e às autoridades públicas e segue à disposição de todas as instituições e agentes envolvidos para colaborar com o que for necessário.” Alerta ignorado em avião da Voepass é 'menosprezado por vários pilotos brasileiros' O acidente O voo 2283 saiu de Cascavel com destino a Guarulhos em 9 de agosto de 2024. O avião caiu em Vinhedo, no interior de São Paulo, e as 62 pessoas a bordo morreram. Segundo o Cenipa, a aeronave enfrentou condições meteorológicas propícias à formação de gelo, teve falha no sistema Airframe De-Icing durante a subida e perdeu desempenho por acúmulo de gelo nas superfícies. O relatório também aponta que procedimentos previstos para alertas durante o voo não foram executados e que houve perda de controle da aeronave. Avião da Voepass na pista do Aeroporto Leite Lopes, em Ribeirão Preto (SP) Marcelo Moraes/EPTV Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

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