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Celina Leão terá desafio de sanar crise no BRB e equilibrar contas públicas do DF no novo mandato

Governadora do Distrito Federal, Celina Leão, em audiência de conciliação no STF sobre o empréstimo do BRB Gustavo Moreno/STF Reeleita para comandar o Dist...

Celina Leão terá desafio de sanar crise no BRB e equilibrar contas públicas do DF no novo mandato
Celina Leão terá desafio de sanar crise no BRB e equilibrar contas públicas do DF no novo mandato (Foto: Reprodução)

Governadora do Distrito Federal, Celina Leão, em audiência de conciliação no STF sobre o empréstimo do BRB Gustavo Moreno/STF Reeleita para comandar o Distrito Federal por mais quatro anos, a atual governadora Celina Leão (PP) vai iniciar o novo mandato diante de dois desafios centrais na área econômica: administrar a crise envolvendo o BRB e reequilibrar as contas públicas do DF. Os desafios não têm apenas relação temática: são ligados diretamente. Isso, porque o próprio governo do DF reconhece que o BRB precisa de um empréstimo bilionário para se salvar. E, como acionista majoritário, caberia ao próprio governo quitar essa dívida no médio prazo. ➡️Esta é a segunda de uma série de reportagens sobre os desafios de Celina Leão para o próximo mandato. Até sábado (7), o g1 vai tratar dos principais temas que o futuro governo terá de enfrentar. ➡️Na terça (3), o g1 mostrou os desafios que Celina enfrentará na saúde pública. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. Os dois temas, que ganharam peso nas campanhas eleitorais de 2026, devem estar entre as principais questões enfrentadas pela governadora no início da próxima gestão. Entrevista ao DF1: Celina Leão (PP) fala sobre situação do BRB e das contas públicas A crise do BRB A crise do Banco de Brasília (BRB) foi causada pelas negociações e operações malsucedidas com o Banco Master. Em março de 2025, o banco público anunciou a intenção de comprar parte da instituição privada. A operação previa a compra de 49% das ações ordinárias e 100% das ações preferenciais do Master, após autorização aprovada pela Câmara Legislativa do DF. No fim de outubro, a Polícia Federal indiciou 15 suspeitos de participação nas condutas ilegais, incluindo Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master; Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB e ex-diretores do banco público de Brasília. 🔎O governo do Distrito Federal é o acionista controlador do BRB e, por isso, precisa garantir que o banco cumpra as regras do sistema financeiro e mantenha níveis adequados de capital. PF indicia Daniel Vorcaro, ex-presidente do BRB e mais 13 pessoas no caso do Banco Master Celina Leão sempre procurou se distanciar das operações que envolveram o BRB e o Banco Master. A governadora afirmou que não participou das negociações e que era contrária à operação. Quando se tornou governadora do GDF, Celina passou a defender medidas para recuperar o banco e afirmou que “assumiu o problema do BRB”. Hoje, o principal problema a ser resolvido no BRB é patrimonial. O banco precisa recompor o capital perdido com as operações envolvendo o Banco Master e voltar a cumprir os limites prudenciais exigidos pelo Banco Central. Divulgação do balanço Em entrevista a TV Globo após a vitória nas urnas, a governadora comentou sobre a divulgação do balanço do BRB. O documento não é divulgado desde novembro de 2025. A governadora negou que a divulgação do documento estivesse atrelado à reeleição. "Esteve sempre atrelado ao empréstimo que nós estamos construindo", concluiu. O banco estima que pelo menos R$ 8,8 bilhões em créditos comprados sejam inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação. Para reforçar o capital da instituição, o GDF busca um empréstimo de R$ 6,6 bilhões. O GDF recorreu ao STF para viabilizar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), destinado à recomposição do patrimônio do BRB. Até agora, porém, os recursos não foram liberados. O governo federal já informou que não pode dar garantia a essa operação, mas o DF vem insistindo no pedido. Celina também disse que tenta tratativas com bancos árabes. 'Balanço não pode ser publicado antes do empréstimo', diz Celina sobre BRB Planos para o BRB Em relação ao Banco de Brasília (BRB), o plano de governo de Celina afirma que a gestão deverá: buscar a solidez financeira da instituição ampliar a transparência e os controles internos e preservar o patrimônio público. De acordo com o documento, foram estruturados 9 ações estruturantes para o BRB: 🏦 Recuperar e fortalecer o BRB: melhorar governança, controles, gestão de riscos e transparência para garantir a solidez do banco. 📱 Melhorar os serviços digitais: modernizar as plataformas sem abandonar o atendimento presencial e humanizado. 💰 Ampliar o microcrédito: expandir o acesso a crédito para micro e pequenos empreendedores. 📚 Capacitar empreendedores: oferecer orientação e assistência junto com a concessão de crédito. 🤝 Facilitar garantias: ampliar o acesso de pequenas e médias empresas ao crédito. 🏗️ Financiar o desenvolvimento: reforçar o BRB no financiamento de infraestrutura, inovação e projetos que gerem emprego e renda. 🚀 Apoiar startups: ampliar o financiamento para empresas de inovação, tecnologia e economia criativa. 👩‍💼 Fortalecer o crédito para servidores: aprimorar crédito imobiliário, consignado e outros produtos para servidores do DF. 💳 Promover educação financeira: orientar famílias e empreendedores e facilitar a negociação de dívidas. Polícia Federal vê atuação direta de Ibaneis Rocha na tentativa de compra do Master pelo BRB Contas públicas Além da crise do BRB, as contas públicas do Distrito Federal são outro desafio para o próximo mandato de Celina Leão (PP). Desde que assumiu o governo, em março, a governadora anunciou cortes de gastos, revisão de contratos e medidas de contenção de despesas, além de afirmar que encontrou um “rombo bilionário” nas finanças do DF. Ao longo dos meses, o governo apresentou diferentes números para dimensionar o desequilíbrio e, ao mesmo tempo, passou a projetar melhora no resultado das contas. ⚠️ O plano de governo de Celina Leão não estabelece metas fiscais ou apresenta números específicos para receitas, despesas ou investimentos. A proposta é consolidar um "modelo de gestão pública voltado para resultados", com medidas de responsabilidade fiscal, modernização da administração tributária e adequação do Distrito Federal ao novo sistema tributário nacional. ➡️ Entre as ações previstas estão o fortalecimento do controle interno, da transparência e dos mecanismos de integridade e prevenção à corrupção. O plano também prevê medidas para melhorar a qualidade do gasto público e a gestão estratégica dos investimentos. Outro compromisso é alinhar o planejamento de longo prazo do governo aos principais instrumentos orçamentários: o Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA). Apesar de listar essas diretrizes, o documento não detalha como as medidas serão implementadas nem estabelece metas, prazos ou indicadores específicos para a área fiscal. Entrevista ao DF2: Celina Leão (PP) fala sobre rombo no caixa do governo do DF Veja abaixo a linha do tempo das principais medidas e declarações do GDF sobre a situação fiscal. 🗓️30 de março: posse e início da revisão das contas Celina Leão assumiu o governo após a renúncia de Ibaneis Rocha. Uma das primeiras medidas anunciadas foi o cancelamento da festa de aniversário de 66 anos de Brasília, com o redirecionamento dos recursos — R$ 25 milhões — para a saúde. Naquele primeiro momento, a nova gestão começou a sustentar que havia despesas acima da capacidade financeira do DF e que seria necessário rever contratos e prioridades. 🗓️15 de abril: anúncio de novos cortes Em reunião com deputados distritais de oposição, Celina Leão afirmou que precisaria fazer um novo corte de gastos. Segundo ela, as medidas atingiriam contratos, aluguéis e a frota de veículos do governo, mas ainda não havia detalhamento sobre a aplicação dos cortes. Esse foi um dos primeiros anúncios públicos de que o ajuste não ficaria restrito ao cancelamento de eventos. 🗓️24 de abril: decreto de contenção de despesas Celina Leão assinou um decreto de contenção de gastos que determinou a revisão de contratos, com tentativa de redução de até 25% dos valores, além de restrições a reajustes e nomeações. A medida também criou um comitê para controlar os gastos e preservou serviços essenciais, como saúde, segurança e assistência social. Os órgãos receberam prazo de 60 dias para fazer a revisão dos contratos. Quando a redução não fosse possível, deveriam apresentar medidas alternativas de compensação. 🗓️20 de maio: governadora fala pela primeira vez em “rombo bilionário” Ao responder a críticas de Ibaneis Rocha, Celina Leão disse ter recebido o governo com uma “grave crise no BRB” e um “rombo bilionário nas contas públicas”. Na declaração, ela ainda não apresentou o valor exato do suposto rombo. Disse apenas que estava tomando decisões que poderiam desagradar a grupos políticos e administrativos para enfrentar os problemas. 🗓️27 de maio: secretário apresenta déficit de R$ 1,9 bilhão Em audiência na Comissão de Economia, Orçamento e Finanças da CLDF, o secretário de Economia, Valdivino José de Oliveira, informou que: o DF arrecadou R$ 13,4 bilhões de janeiro a abril; as despesas empenhadas somaram R$ 15,3 bilhões; o resultado orçamentário do período foi um déficit de R$ 1,9 bilhão; os gastos empenhados cresceram 8,19% na comparação com igual período de 2025. Segundo o secretário, R$ 1,9 bilhão corresponde a dívidas já contabilizadas referentes aos anos de 2023, 2024 e 2025. Apesar do déficit verificado no primeiro quadrimestre, Valdivino José de Oliveira projetou que o DF terminaria 2026 com superávit de R$ 2 bilhões. 🗓️16 de junho: elaboração do orçamento de 2027 A Secretaria de Economia realizou audiência pública do PLOA de 2027. Durante os meses seguintes, a pasta publicou etapas para validação de receitas, definição de tetos e lançamento das propostas das unidades orçamentárias. A pasta também fez um alerta específico contra a superestimativa das despesas e receitas na elaboração da proposta. 🗓️7 de agosto: governo amplia o valor atribuído ao desequilíbrio Celina Leão e Valdivino José de Oliveira apresentaram o balanço fiscal do primeiro semestre. A governadora declarou que havia assumido o DF com um “rombo de quase R$ 5 bilhões”, pagamentos atrasados e a necessidade de um “choque de gestão”. Já o secretário apresentou uma composição mais detalhada: R$ 1,9 bilhão de déficit já registrado; entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões em despesas contratadas que, segundo ele, não estavam formalmente previstas no orçamento; aproximadamente R$ 5,4 bilhões de desequilíbrio identificado; referência pública posterior a um cenário próximo de R$ 6 bilhões. Valdivino José de Oliveira citou como exemplo o transporte público. O subsídio anual seria de R$ 2,2 bilhões, mas o orçamento disponível seria de R$ 1,1 bilhão, deixando uma diferença de R$ 1,1 bilhão apenas nessa área. Também afirmou que saúde, educação e limpeza urbana apresentavam despesas programadas acima da previsão orçamentária. O secretario afirmou que o modelo anterior dava ampla autonomia a cerca de 60 a 70 unidades orçamentárias. Segundo ele, os decretos e a Portaria assinados pelo governo encerraram essa “liberdade fiscal” e passaram a centralizar a definição das prioridades. O secretário atribuiu a recuperação anunciada a duas frentes: controle e centralização dos gastos e aumento da arrecadação. Na ocasião, a projeção oficial passou de superávit de R$ 2 bilhões, anunciado em maio, para R$ 3 bilhões no fim de 2026. Valdivino José de Oliveira disse que pretendia buscar um resultado de até R$ 5 bilhões. 🗓️16 de setembro: envio de um orçamento sem déficit previsto Celina Leão protocolou na CLDF o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027. A proposta estimou receitas e despesas em R$ 49,797 bilhões no orçamento próprio do DF. O documento foi elaborado sob a premissa de não trabalhar com meta de déficit. A orientação da Secretaria de Economia foi fixar despesas compatíveis com as receitas efetivamente estimadas e com a capacidade financeira do DF. Também foi definido, por precaução, um limite de: 82% para despesas correntes; 2% para emendas parlamentares da CLDF; 1% como reserva de contingência; total programado de 85%, preservando uma margem fiscal. O projeto reservou, entre outras áreas: R$ 9,30 bilhões para educação; R$ 8,01 bilhões para saúde; R$ 2,81 bilhões para urbanismo; R$ 2,48 bilhões para transporte; R$ 1,82 bilhão para segurança; R$ 1,26 bilhão para assistência social. Além do orçamento próprio, a Secretaria de Economia estimou R$ 30,32 bilhões do Fundo Constitucional do DF, elevando o conjunto de recursos previsto para 2027 a cerca de R$ 80,12 bilhões. Em setembro, Celina Leão também afirmou que uma eventual mudança no cálculo do Fundo Constitucional poderia retirar R$ 1,8 bilhão do orçamento do DF em 2027. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

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