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Ao menos nove brasileiros são registrados como 'presidentes da República' após erros em carteiras de trabalho

Técnica de enfermagem é registrada como presidente da República na carteira de trabalho Em uma semana, o Brasil descobriu que tem, ao menos, nove "chefes de ...

Ao menos nove brasileiros são registrados como 'presidentes da República' após erros em carteiras de trabalho
Ao menos nove brasileiros são registrados como 'presidentes da República' após erros em carteiras de trabalho (Foto: Reprodução)

Técnica de enfermagem é registrada como presidente da República na carteira de trabalho Em uma semana, o Brasil descobriu que tem, ao menos, nove "chefes de Estado" além do presidente Lula (PT). Esse é o número de profissionais registrados como "presidentes da República" após identificarem um erro na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) Digital. Dos nove trabalhadores, quatro são de Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife. Também houve mais três casos na Paraíba, um no Rio de Janeiro e outro em Roraima. O grupo inclui seis mulheres e três homens. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), os erros se deram após falhas no preenchimento dos códigos de profissão pelos próprios empregadores no antigo sistema da Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social (GFIP). De acordo com o MTE, os trabalhadores podem solicitar a atualização dos dados por meio da central do órgão ou pela internet (saiba mais abaixo). Conheça os outros "presidentes da República": Pernambuco Aldenize Ferreira da Silva, 46 anos, técnica de enfermagem Técnica de enfermagem Aldenize Ferreira da Silva foi registrada em carteira de trabalho digital como presidente da República Reprodução/WhatsApp Ao procurar emprego numa Agência do Trabalho de Jaboatão dos Guararapes, onde mora, Aldenize descobriu que está registrada há mais de 24 anos como “presidente da República” em sua carteira. No documento, o cargo aparece vinculado à prefeitura de Jaboatão, onde ela trabalhou como merendeira e auxiliar de serviços gerais para uma escola municipal entre 2000 e 2002. Desempregada e tentando atuar na área da saúde desde que se formou, em 2023, Aldenize disse que ficou constrangida com a situação e acredita que o problema tem dificultado a busca por emprego. Claudia da Silva, 53 anos, educadora infantil Claudia Silva, de 53 anos, foi registrada como presidente da República em Jaboatão dos Guararapes Reprodução/Whatsapp A professora descobriu que estava registrada como “presidente da República” quando conseguiu um emprego como cuidadora no ano passado. Claudia trabalhou em escolas da rede municipal de Jaboatão dos Guararapes e disse que o vínculo errado está relacionado ao período em que prestou serviços para a Secretaria de Educação da cidade. Apesar do susto, ela conseguiu ser contratada no novo emprego, mas hoje está desempregada. "Fiquei surpresa, porque a pessoa tem um registro na carteira de presidente da República, mas, hoje em dia, moro na casa de outra pessoa e estou desempregada. Como eu sou presidente? Dívida para pagar e um cargo de presidente na carteira". Suelane Fonseca, 49 anos, pedagoga e auxiliar de serviços gerais Suelane Fonseca, de 49 anos, foi registrada como presidente da República em Jaboatão dos Guararapes Reprodução/Whatsapp A trabalhadora descobriu há mais de quatro anos que também aparecia registrada como “presidente da República” em sua CTPS Digital. Suelane trabalhou no início dos anos 2000 dando aulas de artesanato em uma escola municipal de Jaboatão dos Guararapes e, desde 2003, atua como auxiliar de serviços gerais em outra unidade da rede municipal. Ela contou que tentou procurar a prefeitura e a Secretaria de Educação para corrigir o erro, mas não conseguiu resolver a situação. Apesar de dizer que o problema ainda não atrapalhou sua vida profissional, a pedagoga teme que o vínculo errado possa causar dificuldades futuras, principalmente na aposentadoria. Carolina Lima, professora Carolina Lima descobriu que está registrada como 'presidente da República' na carteira de trabalho digital Reprodução/TV Globo A educadora descobriu ser mais uma "presidente da República" lotada na prefeitura de Jaboatão. No documento, consta que ela é chefe de Estado desde 2003. No meio desse "mandato" de 23 anos, ela também exerceu, simultaneamente, o cargo de senadora entre 2011 e 2012. O erro foi descoberto no fim do ano passado, quando Carolina baixou o aplicativo da CTPS Digital. A professora disse que constatou o erro no fim do ano passado e tentou corrigir os dados, primeiro, com o município e o estado. Depois, procurou o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), mas ainda não conseguiu uma resolução definitiva. Paraíba Orlando Pacheco, guia de turismo Guia de turismo Orlando Pacheco foi registrado na carteira de trabalho como 'presidente da República' Montagem/g1 O registro de Orlando como presidente foi feito em 2006 na cidade de Sousa, no Sertão do estado. Ele contou que sentiu curiosidade de verificar os registros de sua carteira de trabalho após assistir à reportagem da TV Globo sobre a técnica de enfermagem Aldenize Ferreira. Na carteira do guia de turismo, há, além do registro como presidente da República, cadastros de trabalho como agente da Polícia Federal e agente de proteção de aeroportos, apesar de nunca ter exercido essas profissões. Todos os cargos são vinculados à prefeitura de Sousa. Caroline Alcântara, servidora pública Servidora pública de João Pessoa, Caroline descobriu que é "presidente da República" desde 2008 na cidade de Pilar, no Agreste paraibano. Assim como Orlando, ela também verificou sua situação após saber do caso da técnica de enfermagem pernambucana. Gerson Paulino, professor, historiador e secretário municipal de Cultura de Areia (PB) O historiador disse que notou estar cadastrado como presidente da República do município do Brejo Paraibano, onde atua como secretário de Cultura. Ele contou que tem conhecimento do erro na carteira de trabalho desde 2021, mas nunca sentiu necessidade de fazer algo a respeito. Rio de Janeiro Patrícia Tavares de Azevedo, professora Professora da Faetec descobre registro como presidente da República na carteira de trabalho Reprodução/TV Globo Professora da Fundação de Apoio à Escola Técnica do Estado do Rio de Janeiro (Faetec), Patrícia disse que descobriu a situação em 2021, na pandemia. Desde então, tenta corrigir o erro e afirma enfrentar dificuldades para conseguir emprego, temendo prejuízos na aposentadoria. O vínculo da professora foi registrado em 2011, com salário declarado de R$ 1.620,86 brutos. Procurada, a Faetec afirmou que Patrícia está devidamente cadastrada na folha de pagamento da fundação com o cargo de professora. Roraima Cinegrafista Ramilton Barros da Silva foi registrado como presidente da República em uma creche de Boa Vista em 2016. Arquivo pessoal Ramilton Barros da Silva, 48 anos, cinegrafista O profissional "ocupou" a cadeira principal do Palácio do Planalto diretamente de Boa Vista entre fevereiro e setembro de 2016. O cargo de presidente da República consta na CTPS Digital dele, vinculado a uma creche onde trabalhou há dez anos. À época, ele foi contratado pela Creche Semear Vida Rodolfo Marinho, localizada no bairro Operário, Zona Oeste da capital roraimense. Ele contou que prestou serviços de secretário e recebia salário de R$ 1.500. Atualmente, o cadastro da unidade de ensino está como "inapta" na Receita Federal. Ramilton disse que já havia notado a falha assim que começou a usar o aplicativo da CTPS Digital. No entanto, acreditou ser apenas um erro de digitação do próprio sistema e ignorou a informação. "Quando vi a matéria no Jornal Hoje, lembrei que tinha visto antigamente, mas não tinha dado tanta importância. Fui abrir meu aplicativo para ver se ainda estava o mesmo erro e vi que estava do mesmo jeito da matéria, a mesma função, de presidente da República", contou. O que diz o Ministério do Trabalho Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE): de 2002 até 2019, quando foi implantada a CTPS Digital, os empregadores informavam ao INSS os vínculos empregatícios de seus trabalhadores por meio da Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social (GFIP); nesse período, algumas empresas registraram a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), incluindo, em determinados casos, o código referente ao cargo de Presidente da República; com a implantação da Carteira de Trabalho Digital, em setembro de 2019, as informações passaram a ser importadas da base de dados do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), administrado pelo INSS; dessa forma, registros enviados pelos empregadores foram automaticamente reproduzidos na carteira digital, que fica na aba "Outros vínculos"; para os vínculos registrados já na carteira digital, não há mais apresentação da descrição da CBO e sim do cargo informado pela empresa na descrição do campo "cargo" do e-Social, o que evita esse tipo de erro. Para corrigir o erro e solicitar a atualização de vínculos trabalhistas e remunerações no CNIS, o MTE disse que orienta os trabalhadores a procurar a Central do MTE ligando para o número 135, que funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h, ou entrar no site Meu INSS. Segundo o órgão, quem optar por resolver o problema por telefone deve pedir ao atendente o serviço de "Atendimento de Vínculos e Remunerações". É necessário apresentar, ao menos, um desses documentos: cópia das páginas de identificação; vínculo onde consta presidente da república; contrato de trabalho e anotações gerais; Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho (TRCT); o extrato do FGTS. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

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