Você saberia o que fazer? Experimento no RS testa se população conhece sinal de socorro para mulheres vítimas de violência
Experimento testa se população reconhece sinal de socorro para vítimas de violência Um experimento realizado nas ruas de Guaíba, na Região Metropolitana d...
Experimento testa se população reconhece sinal de socorro para vítimas de violência Um experimento realizado nas ruas de Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre, mostrou que a maioria da população ainda não reconhece o sinal universal de socorro, um gesto silencioso para que mulheres em situação de violência possam pedir ajuda. A ação foi uma iniciativa da prefeitura para conscientizar os moradores. ✋✊ O gesto consiste em levantar a mão com a palma para fora, dobrar o polegar e, em seguida, fechar os outros dedos sobre ele. Veja em detalhes na imagem abaixo. Dois atores foram às ruas do centro da cidade, fingindo ser um casal. Em alguns momentos, a mulher fazia o gesto de mostrar a palma da mão, dobrar o polegar e fechar os outros dedos sobre ele. O experimento durou mais de uma hora e abordou cerca de vinte pessoas, mas apenas duas mulheres pararam para ajudar. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp "O objetivo, na verdade, é conscientizar, educar, informar a população que há várias formas de se pedir auxílio. Uma das formas é um sinal silencioso, mas será que as pessoas conhecem esse sinal? Elas sabem o que fazer?", explica a prefeita em exercício de Guaíba, Claudinha Jardim. O sinal de socorro foi criado durante a pandemia por uma fundação canadense de apoio às mulheres, para que a vítima peça ajuda sem que o agressor perceba. Magali Ferreira, terapeuta que interpretou a vítima no experimento, relatou que a maioria das pessoas não conhecia o gesto. Ela se emocionou com a atitude das duas mulheres que a abordaram e a convidaram para tomar um café, como forma de retirá-la da situação de perigo. "Foi muito emocionante, eu não pensei que eu ia me emocionar tanto. Naquele momento ali teve um acolhimento", disse Magali. "Elas foram ali e me convidaram para tomar um café, que era uma maneira de, de repente, me tirar dali." O sinal de socorro foi criado durante a pandemia por uma fundação canadense de apoio às mulheres, para que a vítima peça ajuda sem que o agressor perceba Reprodução/RBS TV Aviso após tragédia A iniciativa em Guaíba ocorreu após a cidade registrar o primeiro feminicídio do Rio Grande do Sul neste ano. No dia 3 de janeiro, a bombeira civil Gislaine Duarte, de 31 anos, foi morta a facadas pelo ex-companheiro. Sete mortes em 20 dias: Bombeira civil, monitora de escola, mães: quem são as vítimas de feminicídio nos primeiros dias de 2026 no RS "Infelizmente, após três anos sem nenhum feminicídio no nosso município, a gente teve esse impacto. O que traz também um novo alerta para as nossas comunidades", afirmou a prefeita em exercício. "Esses casos de violência sempre acontecem em maior número nos feriados, nos finais de semana, em dia de jogo de futebol. Então a gente precisa cada vez estar mais alerta." Como agir? Para especialistas, o sinal é uma ferramenta importante, mas não substitui a necessidade de políticas públicas de proteção. "Para enfrentar a violência contra as mulheres, você tem que ter vontade política. Os nossos governantes precisam entender que é importante, sim, investir no enfrentamento à violência contra as mulheres", destacou Thaís Pereira Siqueira, coordenadora do Coletivo Feminino Plural. Thaís orienta sobre como agir ao presenciar o pedido de ajuda: "Você pode tentar se aproximar, dizer que conhece: 'Oi, tudo bem? Quanto tempo a gente não se vê?'. Tentar levar essa mulher para algum lugar, por exemplo, para um comércio, para uma farmácia". A recomendação é conversar com a vítima para encaminhá-la aos órgãos competentes, como a delegacia ou a Brigada Militar. Se não for possível uma aproximação direta, a orientação é procurar uma autoridade policial e relatar o que aconteceu. A omissão em casos de violência também coloca vidas em risco. "Hoje em dia não é mais aquela de 'em briga de marido e mulher não se mete a colher', tem que meter sim! Se eu vejo, eu chamo a polícia", defendeu a divulgadora Roselaine Silva. O sinal de socorro foi criado durante a pandemia por uma fundação canadense de apoio às mulheres, para que a vítima peça ajuda sem que o agressor perceba Reprodução/RBS TV VÍDEOS: Tudo sobre o RS