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VÍDEO mostra transformação em carro de mutação, tradição do passado do carnaval de Florianópolis e única no Brasil

Veja mutação do carro 'A maçã', do carnaval de Florianópolis de 1985. Vídeo: Arquivo/NSC TV/Germano Denardi Nehring Até a década de 1960, os carros de m...

VÍDEO mostra transformação em carro de mutação, tradição do passado do carnaval de Florianópolis e única no Brasil
VÍDEO mostra transformação em carro de mutação, tradição do passado do carnaval de Florianópolis e única no Brasil (Foto: Reprodução)

Veja mutação do carro 'A maçã', do carnaval de Florianópolis de 1985. Vídeo: Arquivo/NSC TV/Germano Denardi Nehring Até a década de 1960, os carros de mutação eram a grande atração do carnaval de Florianópolis. Únicos no Brasil, essas alegorias se transformavam diante dos olhos do público e dos jurados. Vídeos do desfile de 1985, do arquivo da NSC TV, mostram como funcionavam os veículos. Um deles, por exemplo, representando uma maçã, se abria aos poucos conforme diversas dançarinas surgiam (assista acima). ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp Conheça os carros de mutação, tradição do passado do carnaval de Florianópolis Vale Samba é a campeã do desfile das escolas de samba de Joaçaba Carro de mutação simula maçã sendo cortada no desfile de carnaval de 1985 em Florianópolis Reprodução/Arquivo/NSC TV 🤔O que eram os carros de mutação? Antes das escolas de samba, o carnaval de Florianópolis era comandado pelas chamadas grandes sociedades. Elas eram organizações que apareceram em meados do século XIX, inicialmente promovendo bailes e, posteriormente, desfiles pelas ruas da cidade, já com carros alegóricos, como descreveu Alzemi Machado em "O Carnaval das Grandes Sociedades em Desterro/Florianópolis 1858-2011". Foi através da apresentação da sociedade Bons Arcanjo que surgiu o primeiro carro de mutação, em 18 de fevereiro de 1885. Ele se chamava- “A Grande Flor Misteriosa”. A alegoria representava uma enorme tulipa cujas pétalas abriam e se fechavam, encantando o público que acompanhava o cortejo. Reportagem de 2007 mostra bastidores dos carros de mutação no carnaval de Florianópolis Os carros de mutação são tipos de carros alegóricos com técnicas de maquinismo. Eles se destacavam pelo uso de processos artesanais que envolviam madeira, cabos de aço, molinetes, iluminação e tração humana. Segundo o pesquisador, as transformações dos carros dependiam da ação direta de um operador: “Não havia nada movido, por exemplo, a pistão. Nada era elétrico, tudo funcionava por tração manual, pelas pessoas que puxavam aqueles estágios". Inicialmente, os carros de mutação eram puxados por cavalos. Mais tarde, já no século XX, a locomoção passou a ser realizada por automóveis ou pela força de vários foliões. Carro de mutação da década de 1920 Acervo Casa da Memória 👯‍♀️Como eram os desfiles com os carros de mutação? Na época mais próspera dos carros de mutação, os desfiles ocorriam na Praça XV de Novembro, no Centro de Florianópolis. A concentração começava antes, na Rua Felipe Schmidt, na altura da esquina com a Rua Sete de Setembro, ou na Avenida Mauro Ramos. As sociedades não apenas passavam no local para divertir o público. Elas disputavam uma taça de campeã do desfile, então também era preciso fazer as mutações nos locais certos, para impressionar não apenas os foliões, mas, também os jurados. Ao entrar na praça, os pontos mais importantes de exibição, onde as mutações precisavam ocorrer, eram: Palácio do Governo do Estado - atualmente Palácio Cruz e Sousa Câmara de Vereadores - atualmente Museu de Florianópolis Em frente à Catedral Metropolitana - onde ficava a comissão julgadora Outro ponto que às vezes era incluído na hora da mutação era a Praça Fernando Machado, onde fica atualmente o memorial do Miramar. Alzemi relatou que foi assim até o carnaval de 1976, quando os desfiles passaram a ocorrer na Avenida Paulo Fontes em frente ao Mercado Público. E, em 1989, ocorreu uma mudança que impactou bastante o sucesso dos carros de mutação: a inauguração da Passarela Nego Quirido. Infográfico mostra como era o desfile dos carros de mutação na Praça XV de Novembro em Florianópolis Ben Ami Scopinho/NSC 🎭Por que os carros de mutação entraram em declínio? Com as escolas de samba, que surgiram em Florianópolis em 1947, as sociedades passaram a dividir o espaço. Inicialmente, o carnaval tinha dois dias para as novas agremiações e outros dois para as grandes sociedades. Foi assim até os desfiles da Avenida Paulo Fontes, explicou Alzemi. Na Passarela Nego Quirido, escolas de samba e sociedades se alternavam. "Até pela tradição, pela força, a expressão do carnaval carioca das escolas de samba, na mídia e como manifestação exportada para o mundo, os holofotes já começam a sair das grandes sociedades e vão direto para as escolas de samba", declarou o pesquisador. Em resumo, as principais razões para o declínio do uso de carros de mutação no carnaval de Florianópolis foram: valorização maior das escolas de samba arquibancadas mudaram o ângulo de visão do público e tornaram os carros de mutação menos impressionantes público começou a achar as mutações muito lentas problemas financeiros nas sociedades dependência das sociedades de dinheiro público sociedades não possuem vínculo com nenhuma comunidade Carro de mutação com transformação vertical Acervo Casa da Memória Sobre a diferença feita pelas arquibancadas da Passarela Nego Quirido, o pesquisador explicou sobre a mudança para o público. "O espectador fica abaixo do carro. Quando você está em uma arquibancada, você fica acima do objeto. Então, esse poder de escala já começa a diminuir". Com isso, a tecnologia artesanal dos carros de mutação deixou de impressionar tanto. "Toda aquela técnica ali é uma coisa demorada porque é uma coisa feita para segurar na mão mesmo. E muitas pessoas começavam a falar 'as sociedades não estão se modernizando'". O fato de as sociedades não serem vinculadas a nenhum bairro da cidade também foi um fator, de acordo com Alzemi. "Essas agremiações não tinham esse pertencimento". De 1994 a 2006, não houve desfiles das grandes sociedades, com os carros de mutação. Elas voltaram de 2007 a 2011, nas últimas apresentações, com as tradicionais Tenentes do Diabo e Granadeiros da Ilha. Na opinião de Alzemi, porém, os desfiles já não eram mais os mesmos. "Foi muito longe daquela variedade de carros. Desfilaram com um carro só e as mutações muito fracas, vamos dizer, do ponto de vista artístico, da criatividade. Diferente daquelas mutações que chegavam a ter torres e de 18 metros de altura. Então ela foi se definhando". Transformação em carro de mutação simula homem cortando maçã no carnaval de 1985 em Florianópolis Reprodução/Arquivo/NSC TV VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias

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