Uso de 'laranjas' e biometria facial: entenda a investigação contra contadores por fraude de R$ 55 milhões
Esquema de fraudes no agro é investigado; contador do grupo está foragido A Operação El Dourado investiga um grupo pode ter causado prejuízo superior a R$ ...
Esquema de fraudes no agro é investigado; contador do grupo está foragido A Operação El Dourado investiga um grupo pode ter causado prejuízo superior a R$ 55 milhões aos cofres públicos do Tocantins. A investigação da Polícia Civil revelou que empresas de fachada eram utilizadas para simular negociações bilionárias no setor de grãos. O objetivo central era a geração de créditos fictícios de ICMS por meio da emissão de notas fiscais falsas. Os suspeitos, incluindo contadores, pagavam mensalidades para utilizar a identidade de terceiros. A investigação apontou o esquema que usava a biometria facial de "laranjas" para validar transferências bancárias de alto valor. 📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp O esquema envolvia desde o recrutamento de pessoas em situação de vulnerabilidade até ameaças contra aqueles que tentavam abandonar a organização. Entre os investigados estão os contadores: Ítalo Paz Koche e Paulo César Maciel dos Santos. O g1 não conseguiu contato com a defesa deles até a última atualização desta reportagem. Veja abaixo o que se sabe sobre a investigação. LEIA MAIS Contadores suspeitos de desviar R$ 55 milhões pagavam para usar nome e rosto de 'laranja', aponta decisão Como contadores usavam o rosto de 'laranja' para desviar milhões em impostos Ítalo Paz Koche e Paulo César Maciel Reprodução/Instagram Ítalo Paz/Divulgação/SSP Qual o valor em dinheiro desviado? A Operação El Dourado identificou um esquema de sonegação fiscal, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro no setor agropecuário. Estima-se que as atividades ilícitas tenham causado um prejuízo de mais de R$ 55,9 milhões ao erário. O grupo operava simulando a venda de grãos, como soja e milho, para gerar créditos fraudulentos de ICMS, reduzindo indevidamente os tributos de terceiros. Para isso, supostamente, eram abertas empresas de fachada conhecidas como "empresas noteiras" ou "de prateleira", para simular operações de compra e venda de grãos, gerando créditos fictícios de ICMS que eram utilizados para reduzir tributos de terceiros. Como laranjas eram recrutados pelo grupo? O grupo buscava preferencialmente pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica para figurarem como sócios de empresas de fachada. Os recrutadores prometiam o pagamento de cerca de R$ 2 mil mensais em troca do "empréstimo" do nome e da identidade. Em um dos casos relatados, um laranja tentou sair do esquema após receber menos do que o prometido, mas passou a sofrer ameaças de morte por parte dos integrantes do grupo. Como funcionava o uso do reconhecimento facial? Segundo a investigação, os contadores responsáveis pelo esquema controlavam diretamente as contas bancárias abertas em nome de "laranjas". No entanto, para movimentar grandes quantias e validar pagamentos milionários, o sistema bancário exigia a biometria facial. Por isso, os líderes do grupo visitavam a casa dos laranjas várias vezes por semana para realizar o reconhecimento facial necessário para autorizar as transferências de alto valor. Como as empresas de fachada simulavam operações? As empresas funcionavam em estruturas físicas mínimas, como salas de apenas 24 metros quadrados com apenas um notebook, sem qualquer atividade agropecuária real. Para dar uma aparência de legalidade, ex-funcionárias eram contratadas apenas para manter o local aberto. Elas eram instruídas a instalar softwares de acesso remoto, permitindo que os verdadeiros líderes, baseados em outras localidades como Unaí (MG), controlassem as operações e simulassem as negociações no Tocantins. Quem são os principais suspeitos e qual o status das investigações? A polícia identificou um homem de 29 anos em Unaí (MG) como o principal responsável pelo controle das operações. O nome dele não foi informado pela polícia. O contador Paulo César Maciel dos Santos é apontado como responsável por lidar diretamente com os laranjas, encontrando-se atualmente foragido. A defesa dele não foi localizada pelo g1 até a última atualização desta reportagem. Ítalo Paz Koche, gerente do escritório de contabilidade, foi alvo de mandados de busca e apreensão e é suspeito de recrutar laranjas e gerenciar a logística financeira na ausência de Paulo César. A defesa dele também não foi localizada. Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.