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TCU alerta governo para risco fiscal de manter universalização dos Correios sem compensação

O Tribunal de Contas da União (TCU) vai alertar o governo federal sobre o risco fiscal de manter a política de universalização dos serviços postais sem um ...

TCU alerta governo para risco fiscal de manter universalização dos Correios sem compensação
TCU alerta governo para risco fiscal de manter universalização dos Correios sem compensação (Foto: Reprodução)

O Tribunal de Contas da União (TCU) vai alertar o governo federal sobre o risco fiscal de manter a política de universalização dos serviços postais sem um mecanismo permanente, transparente e explícito para compensar seus custos. 🔎 A universalização significa garantir a prestação dos serviços em todo o país. A política de universalização dos Correios exige a presença e a entrega de serviços postais básicos (como cartas e encomendas) em todos os municípios brasileiros. O tribunal observa que a ausência desse aparato pode comprometer a sustentabilidade econômico-financeira do serviço nos médio e longo prazos, reduzir a capacidade dos Correios de garantir a continuidade, a regularidade e a atualização dos serviços postais universais. Em 2025, os custos da universalização dos serviços postais somaram cerca de R$ 24,69 bilhões, enquanto as receitas alcançaram R$ 15,19 bilhões. Para os auditores, o resultado revela um "descompasso expressivo entre custos e receitas". LEIA TAMBÉM: Correios registram prejuízo de R$ 3,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026, aponta relatório Saiba o que está por trás da crise dos Correios Agora no g1 "Esse processo vem reduzindo a capacidade de os Correios autofinanciarem a execução da política pública, levando à necessidade de operações de crédito, à formulação de planos de reestruturação e ao aumento da dependência de fontes externas de financiamento", destacam os técnicos. A maior parte das despesas está relacionada à manutenção da estrutura necessária para atender todo o país, incluindo gastos com pessoal, infraestrutura operacional e áreas administrativas. Cerca de 68% dos custos correspondem às operações diretamente ligadas à prestação dos serviços postais. Na avaliação do TCU, a combinação entre a queda estrutural das receitas e o aumento contínuo dos custos agravou o desequilíbrio financeiro da política pública. Como resultado, destacam os técnicos, os Correios se viram com redução da capacidade de autofinanciamento, o que levou a empresa a recorrer com maior frequência a operações de crédito, planos de reestruturação e fontes externas de financiamento. Apesar das dificuldades financeiras, os auditores destacam que os serviços postais continuam essenciais em regiões com baixa conectividade digital, isolamento geográfico e pouca presença da iniciativa privada. Nessas localidades, a rede dos Correios funciona como instrumento de integração territorial, acesso a direitos e apoio à execução de outras políticas públicas. "Constatou‑se que a capilaridade da rede postal confere à política função que extrapola a prestação do serviço em si, atuando como instrumento de equidade territorial e de acesso a direitos, inclusive como suporte à implementação de outras políticas públicas. Em parcela relevante do território nacional, os Correios permanecem como a única infraestrutura pública federal com presença permanente, o que reforça a relevância da universalização sob a ótica da necessidade social, e não apenas da demanda observada", ressaltam os técnicos. Ainda assim, o diagnóstico é de que a política de universalização ainda não assegura acesso igualitário aos serviços. Embora as metas de cobertura municipal sejam cumpridas, o mesmo não é verificado em comunidades tradicionais, áreas rurais remotas e periferias urbanas, que seguem enfrentando dificuldades de atendimento. Prejuízo dos Correios triplica em 2025 e fica em R$ 8,5 bilhões Jornal Nacional/ Reprodução Os auditores observam que os critérios que têm sido adotados não contemplam desigualdades regionais e acabam confundindo baixa demanda com ausência de necessidade. "Adicionalmente, fatores estruturais como a precariedade do endereçamento urbano, a insuficiente coordenação interfederativa, as restrições de segurança pública e a inexistência de diagnósticos sistemáticos sobre a situação postal de populações vulneráveis contribuem para a invisibilidade estatística e institucional desses grupos, dificultando a formulação de respostas coordenadas e baseadas em evidências", avaliam os técnicos. O somatório desses fatores, apontam os técnicos, fazem com que o modelo atual coloque os Correios diante de um impasse: reduzir custos pode comprometer a capilaridade da rede, enquanto ampliar a universalização exige recursos que a empresa já não consegue suportar. Segundo o tribunal, sem mudanças na governança e na forma de financiamento a sustentabilidade financeira e a continuidade do serviço postal universal permanecem em risco.

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