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Supertelescópio James Webb detecta indícios de desastre antigo nas luas de Netuno

Netuno e sua “Grande Mancha Escura”, uma tempestade na atmosfera do planeta, aparecem em imagem registrada pela sonda Voyager 2, da Nasa, em agosto de 1989....

Supertelescópio James Webb detecta indícios de desastre antigo nas luas de Netuno
Supertelescópio James Webb detecta indícios de desastre antigo nas luas de Netuno (Foto: Reprodução)

Netuno e sua “Grande Mancha Escura”, uma tempestade na atmosfera do planeta, aparecem em imagem registrada pela sonda Voyager 2, da Nasa, em agosto de 1989. Ao lado da tempestade, também é possível ver uma formação de nuvens azul-claras. Nasa/JPL-Caltech/Reuters Novas observações de algumas das luas e dos anéis de Netuno estão fornecendo evidências de uma catástrofe ocorrida há bilhões de anos nas imediações do planeta mais distante do Sistema Solar, na qual um intruso do tamanho de Plutão provocou uma verdadeira batalha celestial. Pesquisadores utilizaram o Telescópio Espacial James Webb, da Nasa, para examinar a composição de três das pequenas luas internas de Netuno — Proteu, Larissa e Galateia — e de seus anéis internos, e detectaram minerais argilosos que seria de se esperar encontrar nas profundezas de certos mundos nos confins do Sistema Solar. Sabe-se que esses minerais ricos em magnésio existem no planeta anão Ceres, que orbita no cinturão principal de asteroides entre Marte e Júpiter, e em alguns meteoritos. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia “Esses minerais requerem contato prolongado entre água líquida e rocha para se formarem”, disse a cientista planetária Ryleigh Davis, pesquisadora de pós-doutorado da Universidade da Califórnia em San Diego e principal autora do estudo publicado na revista Science Advances. “As próprias luas são pequenas e frias demais para que essa reação química tenha ocorrido no local, então a argila teve que vir de outro lugar — do interior profundo de um mundo antigo muito maior. Encontrar esse material nas luas internas de Netuno aponta para um evento catastrófico no passado do planeta que destruiu esses mundos antigos e expôs seus interiores profundos, com as pequenas luas e anéis que vemos hoje se reformando a partir desses escombros”, afirmou Davis, que trabalhou no estudo enquanto estava no Caltech. Os pesquisadores afirmaram que o responsável por esse cataclismo parece ser Tritão, que atualmente é a maior lua de Netuno, mas que anteriormente se encontrava mais distante no Sistema Solar, em uma região chamada Cinturão de Kuiper. Agora no g1 LEIA TAMBÉM: Astronauta da Nasa flagra fenômeno luminoso raro durante tempestade vista do espaço; entenda Em fenômeno inédito, cientistas descobrem planeta que acelera sua própria destruição; entenda O teste de DNA em osso que pode reescrever a história do Egito antigo Eles disseram que, em algum momento durante os primeiros bilhões de anos após a formação do Sistema Solar, há cerca de 4,5 bilhões de anos — uma época caótica em que os grandes planetas gasosos ainda estavam migrando para suas órbitas atuais —, a atração gravitacional de Netuno capturou Tritão. Tritão é um pouco maior que Plutão, outro habitante do Cinturão de Kuiper, embora seja menor que a Lua da Terra. Após ser capturado, as próprias forças gravitacionais de Tritão agitaram as luas originais de Netuno e fizeram com que a maioria delas colidisse entre si. As atuais luas internas de Netuno acabaram se formando a partir de alguns dos detritos resultantes. “Os interiores das grandes luas geladas normalmente ficam permanentemente ocultos de nós, enterrado sob espessas camadas de gelo de água e acessível apenas por meio de modelos e inferências. As luas internas de Netuno podem ser o único lugar no Sistema Solar onde podemos observar diretamente esse material, porque esse evento catastrófico basicamente virou esses mundos antigos do avesso”, disse Davis. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Tritão é a única lua grande do Sistema Solar que orbita na direção oposta à rotação de seu planeta. Esse fato fornece mais evidências de que Tritão foi capturado após se formar em outro lugar, em vez de ter se formado como uma das luas originais de Netuno. Os outros três grandes planetas gasosos — Júpiter, Saturno e Urano — possuem, cada um, um sistema de grandes luas que se formaram ao redor do planeta, orbitando em uma trajetória aproximadamente circular na mesma direção em que o planeta gira. “Netuno é o único planeta gigante do Sistema Solar sem um sistema ordenado de grandes satélites regulares”, declarou Davis. “Portanto, Netuno acabou tendo um intruso capturado dominando seu sistema de satélites, em vez da família ordenada de luas que vemos nos outros planetas gigantes.” Tritão representa mais de 99% da massa de todo o sistema de satélites de Netuno — suas luas e anéis. A história das luas de Netuno, disse Davis, é um lembrete de que o Sistema Solar tem uma história violenta. “É um exemplo vívido de como um único evento aleatório pode alterar fundamentalmente a arquitetura de um sistema planetário”, afirmou. 📱GloboPop: confira o palco do Jornal Nacional na plataforma de vídeos verticais da Globo LEIA TAMBÉM: Espécie achada em esterco de gado pode explicar a origem do 'cogumelo mágico' mais cultivado do mundo Cientistas encontram fóssil de tiranossauro gigante que pode ser parente antigo do T. rex Estudos sugerem que o Sol 'fugiu' do centro da Via Láctea junto com estrelas gêmeas NASA prepara lançamento de poderoso telescópio que vai expandir o trabalho do James Webb

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