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Setores atingidos por sobretaxas do Governo Trump apostam em negociação

A sobretaxa dos EUA sobre o Brasil. Reprodução/Jornal Nacional Os setores brasileiros mais afetados pelas novas sobretaxas impostas pelos Estados Unidos defen...

Setores atingidos por sobretaxas do Governo Trump apostam em negociação
Setores atingidos por sobretaxas do Governo Trump apostam em negociação (Foto: Reprodução)

A sobretaxa dos EUA sobre o Brasil. Reprodução/Jornal Nacional Os setores brasileiros mais afetados pelas novas sobretaxas impostas pelos Estados Unidos defendem a continuidade das negociações entre os dois países para tentar reverter as medidas. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Para parte da indústria, a tarifa de 25% que entrou em vigor na quarta-feira (22) se soma a uma cobrança anterior de 12,5%, elevando a taxação total para 37,5% sobre as exportações destinadas ao mercado americano. É o caso de segmentos como os de confecções, máquinas e equipamentos e calçados. Os Estados Unidos respondem por 20% das exportações brasileiras de calçados. O setor, que já projetava perdas após a primeira tarifa, revisou as estimativas diante da nova cobrança. “O que acontece é que, pelo peso dos Estados Unidos, aumentou de 3,6% para mais de 7% a queda na exportação”, diz Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Abicalçados. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, 16,5% das exportações brasileiras passarão a ser atingidas simultaneamente pelas duas tarifas. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) calcula que a medida afete quase 4 mil produtos brasileiros. Alguns itens considerados estratégicos para a economia americana continuam isentos das novas cobranças, entre eles café, carne e suco de laranja. Para o pesquisador do FGV Agro Felippe Serigati, as tarifas refletem uma política de proteção à indústria dos Estados Unidos. “Setores que podem oferecer concorrência a setores que já existem ou que os Estados Unidos gostariam de desenvolver dentro da sua economia. É uma política protecionista, com o intuito de reindustrializar a economia norte-americana”, diz. O impacto também preocupa setores que já enfrentavam dificuldades para exportar aos Estados Unidos. É o caso do mercado de mármore e granito. Segundo representantes do segmento, as exportações para os americanos já haviam registrado queda de 55% após uma tarifa aplicada anteriormente, que acabou sendo derrubada pela Justiça dos Estados Unidos. Agora, o setor enfrenta duas novas cobranças. A Associação Brasileira de Rochas Naturais afirma que o mercado americano é fundamental para o segmento e destaca que as tarifas também afetam empresas dos Estados Unidos que utilizam matéria-prima brasileira. “A gente fomenta, com a matéria-prima, 200 mil empregos lá nos Estados Unidos. Por isso que eles têm muito interesse no material brasileiro”, diz Tales Machado, presidente da associação. Na quinta-feira (23), o governo brasileiro informou que pretende acionar os instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica para responder às medidas adotadas pelos Estados Unidos. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional Apesar disso, representantes do setor empresarial defendem que o caminho mais eficaz é manter as negociações. “A reciprocidade baseada na lei econômica é uma ação legítima, mas ela, na prática, não vai resolver a situação. Ao contrário, existe um risco muito considerável de que se tenha uma escalada tanto política como comercial na relação bilateral. O setor empresarial tem sido quase consensual em reforçar o interesse de que essa questão seja enfrentada por meio do diálogo, da diplomacia e das negociações”, diz Abrão Neto, presidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham). LEIA TAMBÉM Tarifaço de Trump: veja a cronologia e como ficam as novas tarifas para o Brasil Governo Trump aplica novo tarifaço para Brasil e outros 59 países; veja a lista dos afetados Tarifaço de Trump: veja os principais itens isentos da nova tarifa de até 12,5% sobre trabalho forçado

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