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Rita Lee homenageada pela Mocidade: entenda referências à carreira e vida da cantora feitas pelo samba

Rita Lee (1947 – 2023) é o enredo da Mocidade Independente de Padre Miguel no Carnaval de 2026 Divulgação O samba-enredo que a Mocidade Independente de Pad...

Rita Lee homenageada pela Mocidade: entenda referências à carreira e vida da cantora feitas pelo samba
Rita Lee homenageada pela Mocidade: entenda referências à carreira e vida da cantora feitas pelo samba (Foto: Reprodução)

Rita Lee (1947 – 2023) é o enredo da Mocidade Independente de Padre Miguel no Carnaval de 2026 Divulgação O samba-enredo que a Mocidade Independente de Padre Miguel escolheu para homenagear Rita Lee no carnaval de 2026 traz diversas referências a músicas, épocas e estilo da cantora, que foi um ícone e símbolo de liberdade e lutou por princípios feministas e revolucionários. A artista morreu em 2023. Logo no início do samba (veja a letra completa no fim da reportagem), o verso "Um belo dia resolvi mudar" refere-se ao trecho de "Agora só falta você" (1975), que se tornou um dos marcos da carreira da cantora. Em seguida, “Cansei dessa gente careta” remete ao tom provocador presente em diversas canções da cantora, especialmente “Ovelha Negra” (1975), em que Rita afirma sua recusa em seguir padrões. Essa referência fica ainda mais explícita em “Formei outras ovelhas negras”, uma alusão direta ao refrão da música, que se tornou um dos maiores hinos de independência e rebeldia da MPB. Em “A Tropicalista do verbo sem freio”, o samba dialoga com a fase inicial da carreira de Rita Lee nos anos 1960, à frente dos Mutantes, grupo associado ao Tropicalismo, movimento que misturou guitarras elétricas, irreverência e crítica social em canções como “Panis et Circensis”. Mais a frente, o samba retoma os Mutantes no verso “mutante da pele marcada” para se referir à artista. Já em “Pra farda uma língua e o dedo do meio”, o samba faz referência direta ao período da ditadura militar, quando Rita Lee enfrentou censura, perseguição e chegou a ser presa grávida nos anos 70. A estética da artista aparece em “Cabelo de fogo e a lente encarnada”, imagem associada à persona construída por Rita Lee nos palcos, especialmente durante a carreira solo, quando ela reforçou um visual extravagante que acompanhava canções de forte identidade autoral. Pouco depois, a referência é a mais um verso da cantora "só de te olhar, posso imaginar loucuras", frase presente na música Mania de Você (1979). "Amor é pra sempre" é um verso que se refere à icônica música Amor e Sexo (2003), composta por Lee e seu marido, Roberto de Carvalho. Em “Meu doce vampiro além do querer”, o samba cita explicitamente “Doce Vampiro” (1980), seguido da referência à Desculpe o Auê (1983). Já o verso “Se é caso sério, eu lanço perfume” une duas referências diretas: “Caso Sério” (1980) e “Lança Perfume” (1980). A expressão “Santa Rita Leeberdade” brinca com o nome da artista e faz alusão à imagem construída em músicas que exaltam a autonomia feminina, como “Pagu”, citada diretamente no verso seguinte: “Vem, seja Pagu, se entrega”. A canção, lançada em 2000, homenageia a militante Patrícia Galvão e se tornou um marco do feminismo na música brasileira. "No céu, no mar, na lua, na Vila Vintém" faz uma comparação entre aos versos da música Casinha de Sapê, gravada por Kid Abelha. Veja a letra do samba Mocidade vai cantar Rita Lee; veja o samba Um belo dia resolvi mudar Cansei dessa gente careta Aos seus bons costumes eu sinto informar Formei outras ovelhas negras A Tropicalista do verbo sem freio Pra farda uma língua e o dedo do meio Cabelo de fogo e a lente encarnada Mutante da pele marcada Transo rock e samba pra sentir prazer Agora só falta você (yeah, yeah) Agora só falta você Sou Independente, fácil de amar Livre de qualquer censura Vem, baila comigo Só de te olhar, posso imaginar loucuras Amor é pra sempre O corpo compondo entre a boca e o ventre Dedilha a guitarra (lá laiá) Arranca as amarras e me bebe quente Meu doce vampiro além do querer Desculpe o auê Se é caso sério, eu lanço perfume Aumenta o volume que eu banco a verdade Não adianta prender Santa Rita Leeberdade Vem, seja Pagu, se entrega Quem foge ao padrão vence a regra Sou voz feminina plural Assino a estrela no seu carnaval Mocidade, ê, ê, ê Minha Mocidade, voltei por você Desbaratina a razão, se joga, meu bem No céu, no mar, na Lua, na Vila Vintém

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