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Pisa: 20 estados e o DF vão pior em matemática do que o esperado para seus níveis socioeconômicos; veja ranking

Desempenho de cada estado depende do nível socioeconômico Marcos Araújo/Secom Mesmo considerando a realidade de cada região, como dificuldade de acesso à i...

Pisa: 20 estados e o DF vão pior em matemática do que o esperado para seus níveis socioeconômicos; veja ranking
Pisa: 20 estados e o DF vão pior em matemática do que o esperado para seus níveis socioeconômicos; veja ranking (Foto: Reprodução)

Desempenho de cada estado depende do nível socioeconômico Marcos Araújo/Secom Mesmo considerando a realidade de cada região, como dificuldade de acesso à internet ou baixa escolarização dos pais dos alunos, 20 estados e o Distrito Federal tiveram notas de matemática no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) abaixo das esperadas para seus níveis socioeconômicos. Veja os rankings mais abaixo. ✏️O que é Pisa? É uma avaliação de matemática, de leitura e de ciências, organizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e focada em jovens de 15 anos, de escolas públicas e particulares. Participaram da edição mais recente 91 países. Esse detalhamento do desempenho dos estados brasileiros não era informado desde 2015. Pesquisadores do Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional), a pedido do g1, adaptaram os resultados estaduais tanto de matemática quanto de leitura e de ciências, considerando, em uma escala padronizada, os seguintes aspectos dos alunos: escolaridade dos pais; status profissional mais alto da família; recursos e bens em casa (como acesso a livros e à internet). O patamar é sempre calculado considerando que o “zero” é o perfil dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Leia os critérios detalhados mais abaixo. “O problema da matemática no Brasil começa muito antes dos 15 anos, porque é uma disciplina progressiva e cumulativa. Se um estudante não compreende bem frações ou proporções, por exemplo, terá dificuldade quando chegar à álgebra e a outros conceitos mais complexos”, explica Katia Smole, diretora do Instituto Reúna. Nesta reportagem, você verá: um resumo com os pontos principais do levantamento; uma explicação dos motivos pelos quais o contexto social deve ser considerado; o desempenho de cada estado em matemática, em leitura e em ciências, levando em conta o nível socioeconômico; os destaques negativos e positivos nas três disciplinas. Pontos principais ➡️O Paraná foi líder nos rankings gerais do Brasil no Pisa, divulgados em 8 de setembro. E esse destaque mantém-se mesmo quando o nível socioeconômico é considerado: é o único estado que tem desempenho acima do esperado nas três disciplinas avaliadas. ➡️Roraima aparece entre os piores desempenhos relativos nas três áreas. ➡️Estados nordestinos como Ceará e Piauí superam consistentemente as expectativas, inclusive em matemática. O Ceará obteve 363,3 pontos nesta disciplina — pontuação baixa, quando analisada de modo isolado, mas a segunda melhor do Brasil se o nível socioeconômico for considerado (ficou 10,5 pontos acima da expectativa). ➡️É um contraponto a estados mais ricos, como Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul, que ficaram muito abaixo do previsto. “O Rio de Janeiro tem o segundo PIB do país e está neste patamar horroroso. Não avançou nos programas de escola em tempo integral, por exemplo — algo que Pernambuco, Paraíba e Ceará conseguiram fazer”, afirma Claudia Costin, especialista em Educação e ex-Diretora Global de Educação do Banco Mundial. “Para avançar em matemática, é preciso ensinar a pensar. Com 4 horas de aula por dia, não dá tempo de ir além da memorização de fórmulas.” Procurada pelo g1 para comentar os resultados do Pisa, a Secretaria de Educação do RJ não havia respondido até a mais recente atualização da reportagem. Veja o que outros estados disseram. ➡️Em números absolutos, São Paulo realmente se destaca — notas de 403,8 em matemática, 433,7 em leitura e 442,6 em ciências — e sustenta o discurso de "segundo lugar" nos rankings brutos. Mas, quando entra o recorte socioeconômico, perde o título de “vice”. Em matemática, a diferença para o que era esperado é mínima: apenas +2,3 pontos — a menor margem positiva entre os cinco estados que superaram a expectativa. Na prática, São Paulo está fazendo quase exatamente o que se esperaria dado seu contexto, nem mais, nem menos. ➡️Minas Gerais e Ceará tiveram destaque em leitura — ficaram 52,9 e 59 pontos, respectivamente, acima do esperado para seus perfis socioeconômicos. “Quando um estado apresenta desempenho melhor que o projetado, isso pode indicar que sua política educacional está conseguindo reduzir parte do peso das desigualdades. Quando fica abaixo do patamar esperado, o resultado sugere que as condições e capacidades existentes não estão sendo convertidas em aprendizagem”, afirma Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco. Mas por que ajustar os números? Comparar o desempenho na educação de um estado rico com o de um mais pobre só faz sentido se levarmos em conta a realidade socioeconômica de cada um. É mais comum encontrar em São Paulo do que em Roraima, por exemplo, alunos cujas famílias tenham grau de escolaridade elevado e recursos em casa que favoreçam os estudos (internet de qualidade, livros, espaço confortável). Outro exemplo: no Distrito Federal, 15,6% dos jovens de 15 anos têm pais/mães que estudaram só até o 9º ano. No Piauí, o índice dobra: 30,5%. “A situação ocupacional dos responsáveis também importa, não apenas pela renda, mas porque ocupações mais estáveis podem significar maior previsibilidade na rotina da família e menor necessidade de que uma criança ou adolescente tenha que assumir trabalho ou responsabilidades domésticas”, diz Smole. “ Há tempo e condições para estudar.” Tendo esses contextos individuais em vista, como cada estado (contando também o DF) se saiu no Pisa? Veja abaixo. Matemática Pisa de cada estado, considerando nível socioeconômico, em levantamento do Iede Arte/g1 Ao todo, 21 estados ficaram abaixo do esperado em matemática — a disciplina com o maior número de estados no "vermelho" entre as três avaliadas. O Paraná é o estado que mais superou as expectativas para seu nível socioeconômico, com 15 pontos acima do previsto — o maior destaque positivo do país. Ceará, Minas Gerais e Piauí também tiveram desempenho acima do esperado, considerando seus indicadores socioeconômicos mais baixos do que a média nacional. Roraima apresenta o pior resultado relativo do país: 50,2 pontos abaixo da expectativa. Estados do Norte concentram os piores desempenhos relativos: Roraima, Tocantins, Amapá e Amazonas estão entre as cinco maiores diferenças negativas. Leitura Pisa de cada estado em Leitura, considerando nível socioeconômico, em levantamento do Iede Arte/g1 Paraná lidera com folga: 59 pontos acima do esperado, a maior diferença positiva entre as três disciplinas e estados avaliados. Minas Gerais (+52,9) e Ceará (+49,7) também se destacam bastante acima do previsto para seu contexto socioeconômico. Leitura foi a disciplina com o melhor desempenho relativo do Brasil: a maioria dos estados (24 de 27) superou a expectativa para sua realidade socioeconômica. Apenas três estados ficaram abaixo do esperado: Roraima, Tocantins e Mato Grosso — e com diferenças bem menores do que as observadas em matemática e ciências. Mato Grosso teve a menor diferença negativa entre todas as disciplinas: apenas -1,0 ponto, praticamente dentro do esperado. Ricardo Henriques, da Fundação Unibanco, afirma que é “fundamental garantir a alfabetização na idade adequada e manter, ao longo de toda a educação básica, o trabalho com interpretação, argumentação e produção de textos”. “A leitura não é responsabilidade exclusiva da disciplina de Língua Portuguesa: ela é indispensável para compreender um problema matemático, interpretar um experimento científico ou analisar um gráfico.” Ciências Pisa de cada estado em Ciências, considerando nível socioeconômico, em levantamento do Iede Arte/g1 Paraná volta a liderar: 39,8 pontos acima do esperado, seguido por Minas Gerais (+29,6) e São Paulo (+27,3). Roraima tem, mais uma vez, o pior resultado relativo: 40,4 pontos abaixo do esperado. O Distrito Federal, apesar da nota alta em termos absolutos, ficou levemente abaixo do esperado (-0,5). Rio de Janeiro ficou abaixo do esperado em duas das três disciplinas avaliadas, indicando desempenho aquém do que seu perfil socioeconômico sugeriria. Estados do Norte (Roraima, Tocantins, Amapá, Mato Grosso, Amazonas) dominam as piores posições relativas, repetindo o padrão observado em matemática. O que compõe o indicador socioeconômico? Como afirmado no início da reportagem, o índice resume três dimensões principais da família do aluno em uma única escala padronizada: Escolaridade dos pais: o maior nível educacional alcançado pelo pai ou pela mãe, convertido em anos estimados de estudo; Status ocupacional: A posição profissional mais alta entre os responsáveis, medida pela escala internacional de status socioeconômico de ocupações (ISEI); Recursos e bens em casa: Uma medida aproximada para a riqueza familiar, que inclui a posse de itens como livros educacionais, espaço próprio para estudar e computadores, além da disponibilidade de acesso à internet. Comparação em uma década: quais os avanços? Observando apenas as médias de 2015 e 2025, seria possível afirmar que houve grandes avanços em diversos estados brasileiros. Mas a conclusão pode ser enganosa: como as amostras de alunos que fazem a prova do Pisa são pequenas, as “margens de erro”, informadas pela OCDE no levantamento, são mais significativas. “Quando se incorporam os erros-padrão das planilhas oficiais, os intervalos de confiança de 2015 e de 2025 se sobrepõem na grande maioria das comparações apresentadas”, afirma Ernesto Martins, diretor-fundador do Iede e doutor em Educação pela Universidade de Coimbra. “Isso impede a confirmação estatística de muitas variações que, à primeira vista, parecem expressivas.” O que é possível concluir sobre avanços e retrocessos dos estados ao longo de uma década, mesmo diante da margem de erro significativa? O Paraná alcançou 462 pontos em ciências e 458 em leitura. Na pior hipótese, caso os números estejam no patamar mais baixo do intervalo de confiança, o estado conseguiu ultrapassar a faixa dos 450 pontos. É a primeira vez que um estado brasileiro ultrapassa essa marca. São Paulo ficou acima do esperado no desempenho de 2025, mesmo considerando o nível socioeconômico mais elevado dos estudantes em relação ao resto do país. Mas só é possível constatar que houve uma evolução no intervalo de 10 anos em ciências. As notas de matemática de 2015 e de 2025, assim como as de leitura, se sobrepõem ao levar em conta a margem de erro. Estatisticamente, pode ter havido melhora, estagnação ou piora nessas duas disciplinas. Não há como saber. ➡️Esse problema estatístico é ainda maior quando se pretende comparar o desempenho da rede privada e da rede pública de um estado. Quando há poucas escolas particulares selecionadas para fazer a prova, “os erros-padrão das médias podem ser extremamente elevados, o que torna a construção de um ranking um problema”, alertam os pesquisadores do Iede. PISA: Brasil estagnado em Leitura, Matemática e Ciências

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