Passageiros denunciam calor nos ônibus do transporte público de Boa Vista: 'forno de metal'
Passageiros reclamam de calor nos ônibus do transporte público de Boa Vista Passageiros que andam nos ônibus do transporte público de Boa Vista denunciaram ...
Passageiros reclamam de calor nos ônibus do transporte público de Boa Vista Passageiros que andam nos ônibus do transporte público de Boa Vista denunciaram ao g1 que têm enfrentado calor durante o deslocamento no dia a dia em razão da falta de ar-condicionado nos veículos. As reclamações incluem ainda janelas travadas e veículos com estrutura ruim. As reclamações sobre a frota são de passageiros que andam as linhas 401, com destino ao Cruviana, 112, que faz a rota do Caçari ao Equatorial, e 104, que faz viagens entres os bairros União e Cidade Satélite. O transporte público da capital é de responsabilidade da Prefeitura de Boa Vista, por meio da Empresa de Desenvolvimento Urbano e Habitacional (Emhur). O serviço é operado pela empresa Cidade de Boa Vista Transportes Urbanos Ltda. Em nota, a prefeitura informou que comunicará oficialmente a empresa responsável e solicitará a adoção das providências necessárias para a melhoria dos serviços prestados à população. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp A babá Swayne Duarte, de 37 anos, usa os ônibus do transporte público todos os dias para ir ao trabalho e voltar para casa. Ela utiliza o serviço há 20 anos e conta que a falta de climatização cria um efeito estufa dentro dos veículos, principalmente no período da tarde. "De manhã é até razoável a questão do calor, mas a qualidade dos ônibus está péssima. Muitos sem ar-condicionado e com as janelas travadas, e isso complica no período da tarde", afirmou. Ela acrescentou ainda que já viu pessoas passarem mal por conta da quentura. "Já ocorreu de algumas mulheres passarem mal a ponto de terem que descer do ônibus e preferir pegar um lotação por conta do calor". Procurada, a empresa Cidade de Boa Vista disse que "recebe e acompanha os relatos apresentados pelos usuários e esclarece que cada ocorrência é tratada individualmente, sendo realizada a apuração e a adoção das providências necessárias." A manutenção da frota é realizada diariamente, seguindo um cronograma de manutenções e revisões preventivas. Além disso, sempre que um veículo apresenta qualquer tipo de problema ou falha que possa comprometer sua operação, o ônibus é imediatamente recolhido à garagem para avaliação e correção, sendo substituído por outro veículo para garantir a continuidade do serviço 🌡️ As reclamações sobre o calor enfrentado pelos passageiros ocorrem em meio às altas temperaturas causadas pelo El Niño que têm se intensificado e podem ser as mais quentes desde 1950. Até outubro, a previsão é de calor acima da média histórica em Roraima. Para Boa Vista, a previsão para setembro indica marcas entre 27 °C e 35 °C, conforme o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam). Entenda: O El Niño é um fenômeno meteorológico e climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. O fenômeno deve tem ganhado força neste segundo semestre e deve persistir até o início de 2027. Em Roraima, pode impactar em períodos mais quentes e secos, alterar o regime de chuvas e aumentar o risco de incêndios florestais. Passageiros em ônibus sem ar-condicionado em Boa Vista, capital de Roraima Luiz Vinícius Quadros/Rede Amazônica 'Forno de metal' A percepção de calor se repete entre outras passageiras. Há quase dez anos utilizando os ônibus, a estudante universitária Letícia Nepomuceno, de 27 anos, afirma que a qualidade do serviço piorou nos últimos anos. Ela afirma que a falta de ar-condicionado agrava o problema porque que as janelas ficam travadas e impedem a entrada de ventilação externa. "A experiência nesse calor extremo está sendo horrível, ônibus que não funciona o ar-condicionado e as janelas estão fechadas e são impossíveis de abrir, transformando o ônibus em um grande forno de metal", relatou. Segundo Letícia, o calor tem impactos não só na rotina, mas também na saúde. "Enfrentar o calor extremo em um grande forno tem gerado muito desconforto, crises de dores de cabeça e queda de pressão arterial", contou. LEIA TAMBÉM: El Niño vai ficar muito forte e deve persistir até fevereiro de 2027, diz ONU El Niño preocupa comunidades indígenas de Roraima e muda rotina no plantio de roças Outros problemas Além do calor, passageiros também relatam problemas de conservação e segurança nos ônibus. O estudante Kayke Areb, de 22 anos, usa o transporte público desde que era adolescente. A rota que ele pega todos os dias é a que vai até o Senador Hélio Campos, na zona Oeste. Ônibus do transporte coletivo no terminal do Centro de Boa Vista Luiz Vinícius Quadros/Rede Amazônica Kayke diz que reconhece avanços pontuais no serviço, mas reclama que a qualidade dos ônibus ainda é pouca para a região onde mora. "Raramente ônibus de boa qualidade circulam pela minha zona, pois quase sempre pego ônibus velhos, com janelas abertas e quebradas e chão e assentos bem precários e sujos", contou. Outro problema mencionado por Kayke é a falta manutenção dos veículos. Como exemplo, citou que nos ônibus que pega os botões de alarme de desembarque não funcionam. "Alguns fios e botões de alarme de desembarque não funcionam. Em alguns momentos, é necessário gritar com motorista para ele parar e desembarcar as pessoas", afirmou. Ele também relata problemas relacionados à segurança dos passageiros. Em uma viagem recente, conta que foi coagido por outra pessoa a pagar a própria passagem, sem que o motorista interviesse na situação. A estagiária da área de Pedagogia, Jully Maria Baré Ferreira, de 21 anos, que usa o transporte público há quatro anos, afirma que a qualidade dos ônibus varia conforme a linha. Como é estudante, ela não paga a passagem, mas considera que o serviço deveria oferecer melhores condições aos passageiros que pagam. "Como estudante não pago a passagem, então não reclamo tanto. Mas se eu pagasse R$ 5,50 todo dia, não acharia justo", comentou "Pagando esse valor todo dia, dependendo de quantos ônibus tem que pegar, era pra ele estar nas mínimas condições de conforto, pelo menos com o ar-condicionado funcionando, bem preservado". Atualmente, a tarifa do transporte público de Boa Vista é de R$ 5,50 . Estudantes têm gratuidade no serviço. O valor da passagem é o mesmo desde abril de 2025, quando a Prefeitura decidiu manter a tarifa sem reajuste até que a concessionária opere com 100% da frota climatizada e idade média máxima de seis anos. A decisão foi tomada pelo Conselho Municipal da Cidade de Boa Vista (Comcid-BV). Na época, a concessionária havia pedido que a tarifa subisse para R$ 10,21. Sobre a empresa Cidade Boa Vista Em nota ao g1, a empresa A Cidade de Boa Vista Transportes Urbanos Ltda informou que iniciou a operação do transporte público coletivo de Boa Vista em 2010, há 16 anos. Atualmente, a empresa afirma que a frota é composta por 81 ônibus, que atendem, em média, 34 mil passageiros por dia. Segundo a concessionária, 12 dos veículos não possuem sistema de climatização. A empresa afirma que esses ônibus são destinados à reserva operacional e utilizados conforme a necessidade. Também informou que os veículos estão previstos para substituição dentro do plano de renovação da frota e que a empresa está em processo de aquisição de novos ônibus. "Esclarece que mantém acompanhamento permanente dos parâmetros estabelecidos para a prestação do serviço e vem promovendo a renovação gradual de sua frota", disse. Sobre os relatos de passageiros sobre os ônibus sem climatização, janelas travadas e alarmes de desembarque sem funcionamento, a empresa afirmou que acompanha as reclamações e que cada ocorrência é analisada individualmente. De acordo com a concessionária, os ônibus são inspecionados diariamente. "Sempre que retornam à garagem, são submetidos a checklist operacional para identificação de eventuais necessidades de manutenção", destacou. *Estagiário sob supervisão e edição de Valéria Oliveira, do g1 RR Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.