Mulheres e indígenas lideram produção de castanha sustentável em município do Amazonas
Desde 2019 Amazonas lidera a produção da castanha. Reprodução A produção de castanha no interior do Amazonas tem se tornado uma fonte de renda sustentáve...
Desde 2019 Amazonas lidera a produção da castanha. Reprodução A produção de castanha no interior do Amazonas tem se tornado uma fonte de renda sustentável e de preservação da floresta. Em Beruri, mulheres e povos indígenas lideram uma agroindústria que valoriza a produção local e fortalece omunidades tradicionais. O projeto é coordenado pela Associação dos Produtores e Beneficiadores Agroextrativistas de Beruri (Assoab). A entidade passou a produzir óleo e derivados. Esse avanço permite ampliar a renda de mais de 190 famílias em até 60%, sendo que mais da metade delas vive em quatro Terras Indígenas nos municípios de Beruri, Lábrea e Tapauá. Criada em 1994 por agricultores familiares, a Assoab atua desde 2006 na cadeia produtiva da castanha junto à comunidades ribeirinhas, agroextrativistas e indígenas, em Terras Indígenas e Unidades de Conservação. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp A associação aposta no diálogo direto com os produtores, preços justos e eliminação de intermediários. O modelo ajudou a reduzir a dependência econômica e fortalecer a economia local. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Atualmente, mulheres estão à frente da gestão e das atividades técnicas da Assoab. São 65 pessoas envolvidas diretamente no beneficiamento da castanha. Mais de 730 moradores da região são beneficiados pelas atividades da cadeia produtiva na região. Mulheres e indígenas lideram agroindústria da castanha que fortalece renda e preserva floresta no AM. Divulgação Parceria amplia valor da cadeia produtiva Desde 2018, a associação mantém uma parceria de longo prazo com uma empresa do setor de cosméticos, voltada ao fortalecimento da cadeia da castanha, à valorização do trabalho extrativista e à ampliação da renda nas comunidades. A cooperação contribuiu para estruturar a produção local e ampliar as possibilidades de atuação da associação. Segundo Mauro Costa, gerente sênior de Relacionamento e Abastecimento da Sociobiodiversidade da Natura, o beneficiamento local representa um avanço estratégico para a cadeia. “A infraestrutura permite garantir qualidade e rastreabilidade dos bioativos da Amazônia e abre caminho para novas cadeias produtivas além da castanha, como murumuru, cupuaçu e tucumã. Isso diversifica a renda da comunidade e fortalece a resiliência da cadeia frente a eventos climáticos”, afirmou. Com a estrutura concluída, a agroindústria se prepara para iniciar as operações a partir da próxima safra da castanha, prevista para o primeiro trimestre de 2026. Considerando a capacidade operacional atual, o espaço tem potencial para beneficiar até 100 toneladas de matéria-prima por ano, de acordo com a disponibilidade de insumos em campo. 🌰 Castanha: do Pará, do Brasil ou da Amazônia? Qual é o nome do fruto que tem o Amazonas como maior produtor? Produção com foco em sustentabilidade A agroindústria da Assoab adota soluções de circularidade e eficiência energética. Resíduos da casca da castanha são utilizados para alimentar a caldeira, enquanto sistemas de captação de água da chuva integram as operações. A associação também acessou recursos para a implantação de energia fotovoltaica, atualmente em fase de implementação. As melhorias foram viabilizadas, entre outros fatores, por meio do Mecanismo de Financiamento Amazônia Viva, que mobiliza crédito e investimentos estruturantes voltados ao fortalecimento da economia local e à conservação da floresta. Mulheres e indígenas lideram agroindústria da castanha que fortalece renda e preserva floresta no AM. Divulgação No mercado da castanha no Amazonas, a Assoab foi a única associação de base comunitária a acessar recursos não reembolsáveis para sistemas de captação de água da chuva e energia limpa. Para Angela Pinhati, diretora de Sustentabilidade da companhia, essas iniciativas demonstram que desenvolvimento econômico e conservação ambiental podem caminhar juntos. “Atuações coletivas como essa mostram que é possível fortalecer a cadeia da castanha ao mesmo tempo em que se combate o desmatamento e se garante inclusão social, com geração de renda para mulheres, jovens e povos indígenas”, afirmou. Castanha-do-pará x castanha-da-amazônia? Projeto de lei quer mudar nome do produto