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Julgamento de empresário que dirigia Porsche e matou trabalhador de aplicativo teve mudanças de versão e divergências em depoimentos; veja

Justiça condena Fernando Sastre a 17 anos de prisão por morte de motorista de aplicativo O julgamento de Fernando Sastre de Andrade Filho, motorista do Porsch...

Julgamento de empresário que dirigia Porsche e matou trabalhador de aplicativo teve mudanças de versão e divergências em depoimentos; veja
Julgamento de empresário que dirigia Porsche e matou trabalhador de aplicativo teve mudanças de versão e divergências em depoimentos; veja (Foto: Reprodução)

Justiça condena Fernando Sastre a 17 anos de prisão por morte de motorista de aplicativo O julgamento de Fernando Sastre de Andrade Filho, motorista do Porsche envolvido no acidente que matou o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, em março de 2024, teve mudanças de versão do réu e divergências entre os depoimentos de testemunhas e os argumentos apresentados pela defesa. O empresário foi condenado a 17 anos, 1 mês e 10 dias de prisão, em regime inicialmente fechado, por homicídio com dolo eventual e lesão corporal gravíssima. O júri terminou na madrugada desta sexta-feira (30). Um dos principais pontos discutidos durante o julgamento foi o consumo de bebidas alcoólicas antes do acidente. Após negar anteriormente que tivesse bebido, Sastre admitiu, nesta quinta-feira (29), ter consumido dois drinques à base de uísque antes de dirigir. Em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, em maio de 2024, o empresário havia afirmado que tinha tomado apenas água na noite do acidente (veja vídeo abaixo). EXCLUSIVO: 'Tomei água', diz dono de Porsche que matou motorista de aplicativo em SP A seguir, veja quatro pontos discutidos durante o julgamento e as versões apresentadas pelo réu, pela defesa e pelas testemunhas ouvidas pela Justiça. 1 - Ele negou ter bebido, mas confessou durante o julgamento Em 2024, durante depoimento à polícia e em entrevista ao Fantástico, Fernando Sastre negou ter consumido bebida alcoólica antes do acidente. A então namorada, Giovanna Pinheiro Silva, também afirmou que ele não havia bebido. Nos depoimentos de 28 e 29 de outubro de 2026 testemunhas ouvidas no júri, entre elas o amigo Marcus Vinicius Machado Rocha e Juliana Simões, namorada de Marcus na época, disseram que Fernando havia consumido bebidas alcoólicas. No julgamento de 29 de outubro de 2026: Fernando admitiu pela primeira vez que bebeu antes de dirigir. Disse no tribunal ter consumido dois drinques à base de uísque. Ao admitir o consumo de álcool, o empresário disse que queria contar a verdade e que não pretendia inventar desculpas. O promotor Rodolfo Morais questionou a mudança de versão e argumentou que o réu só reconheceu o consumo de álcool diante das provas apresentadas. Fernando Sastre de Andrade Filho (foto) é o motorista do Porsche envolvido no acidente que matou um motorista por aplicativo. Reprodução/TV Globo Jonas Marzagão, advogado de Fernando, diz que seu cliente é o único motorista envolvido em um acidente com morte que segue preso em São Paulo. "Todos os reús nos casos similares estão respondendo em liberdade, inclusive com teste de bafômetro comprovando o uso do bebida alcoólica, e fuga do local de acidente. O que não aconteceu no caso de Fernando. Ele não fez o bafômetro na ocasião porque a polícia não tinha o aparelho para fazer no momento", falou Marzagão. "Fernando não pediu socorro porque outras pessoas haviam telefonado e pedido, enquanto era retirado do carro. Mas ele ainda permaneceu no local do acidente até ser liberado pelas autoridades", completou o advogado. 2 - Fernando não foi ao hospital para onde disse que seria levado Outra divergência do julgamento foi sobre a saída de Sastre do local do acidente. A defesa sustentou, logo após a morte do motorista de aplicativo, que Fernando não havia fugido. A versão era de que ele tinha sido liberado pelos policiais militares para receber atendimento médico, depois que sua mãe chegou ao local. O que foi comprovado pelas câmeras corporais dos policiais envolvidos na ocorrência. A mãe de Fernando havia informado aos policiais que o levaria ao Hospital São Luiz Ibirapuera. Os policiais militares procuraram o empresário na unidade, mas receberam a informação de que ele não havia dado entrada no hospital. MP oferece denúncia e justiça deve decidir sobre prisão preventiva de Fernando Sastre Filho Na sequência, Fernando e a mãe não atenderam às ligações dos policiais. Ele só se apresentou à delegacia mais de 30 horas depois do acidente. Durante o julgamento, Daniela Andrade apresentou outra explicação: disse que, antes de ir ao hospital, passou em casa com o filho para que os dois tomassem banho e trocassem de roupa. Afirmou também que tomou um medicamento para se acalmar, ficou dopada e não conseguiu dirigir. Segundo ela, só levou o filho para fazer exames uma semana depois. A versão também foi apresentada por Fernando Sastre na entrevista que ele deu ao Fantástico, em maio de 2024. No segundo dia do júri, a policial militar Daisy Romão afirmou que se sentiu enganada pela mãe do empresário, porque acreditava que ela o levaria ao hospital. 3 - A defesa tentou atribuir o acidente a falha mecânica no Porsche Perícia conclui que Porsche que matou motorista de aplicativo em SP estava a 156km/h A defesa de Fernando Sastre também apresentou durante o julgamento uma perícia particular que apontou possíveis problemas mecânicos no Porsche envolvido no acidente. No segundo dia do júri, o perito Alfredo Vieira, contratado pela defesa, apresentou suas conclusões sobre o veículo. Segundo ele, havia indícios de falhas técnicas, incluindo um possível problema na câmera dianteira que poderia comprometer o funcionamento do sistema de alerta de colisão. Os advogados também exibiram uma animação para apresentar sua interpretação sobre a dinâmica do acidente. A perícia oficial do Instituto de Criminalística (IC), por sua vez, concluiu que o Porsche trafegava a aproximadamente 156 km/h momentos antes da colisão. O limite de velocidade no trecho da Avenida Salim Farah Maluf onde ocorreu o acidente era de 50 km/h. Durante o julgamento, a defesa argumentou que possíveis falhas no veículo deveriam ser consideradas na análise das circunstâncias do acidente. Já a acusação sustentou que a velocidade do Porsche, associada ao consumo de álcool e aos relatos das testemunhas, demonstrava que o empresário havia assumido o risco de provocar uma morte. 4 - Discussão sobre homicídio doloso e culposo Começa julgamento de empresário Fernando Sastre que provocou o acidente fatal Uma das principais questões analisadas pelos jurados foi se Fernando Sastre assumiu o risco de provocar a morte de Ornaldo Viana ao dirigir o Porsche nas circunstâncias relatadas durante o julgamento. A defesa, representada pelo advogado Jonas Marzagão, sustentou que o empresário não teve intenção de matar e pediu a desclassificação da acusação para homicídio culposo, modalidade em que não há intenção nem assunção do risco de provocar a morte. A acusação, por outro lado, defendeu a condenação por homicídio com dolo eventual, quando o autor assume o risco de produzir o resultado. Durante o julgamento, Marcus Vinicius Machado Rocha, amigo de infância de Sastre e passageiro do Porsche no momento do acidente, afirmou que o empresário havia consumido bebidas alcoólicas e que amigos tentaram convencê-lo a não dirigir. Marcus também confirmou que Giovanna Pinheiro Silva, então namorada de Fernando, se recusou a entrar no veículo em razão da situação do empresário. Ele próprio, no entanto, decidiu acompanhar o amigo. Marcus tinha 22 anos e era estudante de medicina na época do acidente. Com o impacto, sofreu fraturas em quatro costelas e precisou passar por uma cirurgia para retirada do baço. Ele permaneceu cerca de dez dias internado, parte desse período na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), e voltou a ser hospitalizado posteriormente por complicações relacionadas à cirurgia. Marcus Vinicius Machado Rocha diz que Sastre ingeriu álcool antes de dirigir Kléber Tomaz/g1 Ao final do julgamento, os jurados reconheceram o dolo eventual na morte de Ornaldo Viana e também condenaram Sastre por lesão corporal gravíssima em relação aos ferimentos sofridos por Marcus. Na sentença, a juíza mencionou os relatos de que o empresário havia sido advertido por amigos para não dirigir antes do acidente. Como foi o julgamento Fernando Sastre é condenado a 17 anos de prisão por matar motorista de app O julgamento começou na quarta-feira (28), no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo. Ao todo, 14 testemunhas foram arroladas no processo, das quais 11 foram ouvidas durante os dois dias de julgamento. O segundo dia do júri começou por volta das 11h desta quinta-feira. Duas pessoas foram ouvidas no começo: a policial militar Daisy Aparecida Cardoso Romão, que liberou Fernando do local do acidente sem que ele fizesse o teste do bafômetro, e o perito criminal Alfredo Vieira das Neves, contratado pela família do empresário. Sastre também foi ouvido e admitiu, pela primeira vez, ter ingerido bebida alcoólica no dia em que bateu no carro do motorista de aplicativo (veja mais abaixo). Durante o depoimento, a policial militar afirmou que foi enganada pela mãe de Fernando. Segundo Daisy, a mulher disse que levaria o filho para receber atendimento médico por causa de um pequeno sangramento no nariz, mas os dois foram para casa. Fernando Sastre Filho Jornal Nacional/Reprodução Segundo Daisy, a mãe do empresário pediu autorização para levá-lo ao hospital. A policial afirmou que permitiu a saída porque o Samu já havia deixado o local e não havia atendimento médico disponível naquele momento. Questionada sobre a presença dos bombeiros, confirmou que eles ainda estavam na ocorrência. A policial disse que Fernando estava confuso, mas não afirmou que ele aparentava estar alcoolizado. Ela também declarou que não solicitou escolta para acompanhar o deslocamento até o hospital. Após a saída, um policial militar, que trabalhava com Daisy, telefonou para a mãe do empresário porque Fernando não havia sido encontrado no Hospital São Luiz para onde ela disse que o levaria. A mulher indicou outra unidade de saúde, mas eles também não foram localizados no local. Questionada sobre o motivo de ter liberado o empresário sem o teste do bafômetro, Daisy inicialmente não respondeu e depois afirmou que a equipe não tinha um etilômetro na viatura. Ela disse não se lembrar se a carteira de habilitação de Fernando foi recolhida. LEIA MAIS: Amigo de Fernando Sastre diz que empresário bebeu antes de causar acidente com Porsche: 'Estava alterado' Justiça militar torna réus PMs que liberaram motorista de Porsche sem fazer bafômetro após acidente com morte em SP MP pede investigação contra perito contratado pela família O segundo depoimento foi o do perito criminal Alfredo Vieira das Neves, contratado pela família de Fernando Sastre para fazer uma análise técnica do acidente. Durante a apresentação, ele tentou justificar a colisão com base em imagens do acidente e levantou a possibilidade de falhas no Porsche. O assistente técnico do Ministério Público questionou o perito sobre o uso de imagens que, na avaliação da acusação, seriam divergentes das utilizadas na análise particular. O Ministério Público também pediu a instauração de um inquérito para apurar suspeita de falsidade ideológica. A juíza indeferiu o pedido por entender que não cabia a ela determinar a instauração da investigação naquele momento, mas ao próprio Ministério Público. Após a decisão, o órgão anunciou que instauraria o inquérito contra o perito. Ao responder às perguntas encaminhadas pelos jurados, Alfredo foi questionado se o acidente teria sido evitado caso o Porsche estivesse dentro do limite de velocidade da via. Ele respondeu que, quanto menor a velocidade, menor o risco de acidente. Durante o depoimento, a PM afirmou que foi enganada pela mãe de Fernando. No dia do crime, a mulher disse à policial que iria levar o filho ferido para o hospital, porém eles foram para casa. Confissão de motorista O empresário Fernando Sastre de Andrade Filho, dono do Porsche azul, admitiu nesta quinta-feira (29), pela primeira vez, ter ingerido bebida alcoólica no dia em que bateu no carro do motorista de aplicativo. Antes, o empresário negava ter consumido álcool naquela noite e afirmava que só tinha bebido água. No início de sua fala no júri, Fernando disse: "Eu poderia inventar mil desculpas, mas estou aqui entregue a esse plenário, eu acredito na Justiça. Hoje quero dizer a verdade". Sastre ainda pediu para esclarecer que "jamais foi indiferente" ao ocorrido. "Eu sofro muito com isso até hoje", disse, chorando. Depois afirmou que nunca queria ter provocado aquele acidente. E que queria aproveitar o momento para "pedir com todo respeito, perdão para as vítimas, para as famílias". "Confesso, sim, que, no dia dos fatos, eu ingeri bebida alcoólica". O réu ainda lamentou ter provocado o acidente que matou Ornaldo: "Eu imagino toda dor e sofrimento que eles estão sentindo. O seu Ornaldo tinha quase a mesma idade do meu pai. Posso imaginar o que eles estão sentido e toda a devastação".

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