INSS: veja o que a PF diz sobre os indiciados na primeira investigação sobre descontos indevidos
PF indicia ex-presidente do INSS e mais 47 pessoas na primeira investigação sobre descontos indevidos A PolÃcia Federal (PF) concluiu a primeira investigaçÃ...
PF indicia ex-presidente do INSS e mais 47 pessoas na primeira investigação sobre descontos indevidos A PolÃcia Federal (PF) concluiu a primeira investigação da Operação Sem Desconto, que mira um esquema nacional de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. Ao todo, foram indiciadas 48 pessoas. Entre elas estão o ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Stefanutto, o ex-procurador-geral do órgão, VirgÃlio de Oliveira Filho, o ex-diretor de benefÃcios da autarquia, André Fidelis e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS". Esses indiciados estão presos preventivamente desde o ano passado. LEIA TAMBÉM: 'Heróis', 'notáveis' e 'amigos': PF detalha pagamentos volumosos a agentes públicos, que recebiam apelidos dos fraudadores do INSS O relatório foi apresentado pela PF ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, relator das investigações. Agora, as conclusões serão encaminhadas à Procuradoria-Geral da República (PGR), que é quem cabe apresentar a denúncia, pedir o arquivamento do caso, ou solicitar novas diligências. Alessandro Stefanutto, Carlos Roberto Ferreira Lopes, CÃcero Marcelino de Souza Santos, Ahmed Mohamad Oliveira Andrade, Euclydes Petersen e VirgÃlio Antônio de Oliveira Filho Câmara dos Deputados Veja abaixo o que a PF sobre os principais envolvidos no esquema de descontos: Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS Indiciado por: organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva. O que a PF diz: utilizou seus mandatos para blindar o Acordo de Cooperação Técnica da Conafer. Em troca de sua omissão fiscalizatória deliberada, recebeu propinas mensais recorrentes que alcançaram o patamar de R$ 250.000,00 mensais. A rede de lavagem envolveu o recebimento de recursos pelas contas de terceiros. José Carlos Oliveira (mudou o nome para Mohamad Oliveira Andrade), ex‑ministro do Trabalho e Previdência no governo Jair Bolsonaro Indiciado por: organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva. O que a PF diz: utilizou mandato para garantir a inação institucional da autarquia, assinando despachos que destravavam repasses bloqueados de R$ 15,3 milhões da Conafer sem fiscalização. Em contrapartida, recebeu propinas que totalizaram ao menos R$550 mil, por meio de triangulações bancárias, além de valores em espécie não quantificados, por meio de entregas em hotéis de São Paulo. Euclydes Marcos Pettersen Neto, deputado federal licenciado Indiciado por: organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva. O que a PF diz: atuou de forma continuada como o principal fiador polÃtico do grupo no Congresso Nacional e no INSS, chancelando a indicação de procuradores e diretores corrompidos para garantir a manutenção das fraudes. Euclydes foi beneficiário de pelo menos R$ 14,7 milhões em propinas mensais fracionadas pelas contas de passagem de lotéricos e empresas laranjas. Lavou esses ativos na pecuária em Aripuanã (MT), em desmatamento quÃmico de fazendas, e na ocultação de aeronaves. Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS" Indiciado por: lavagem de dinheiro e participação em corrupção passiva. O que a PF diz: funcionou como operador de propinas. Carlos Roberto Ferreira Lopes, ex-presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) Indiciado por: organização criminosa, lavagem de dinheiro em caráter majorado e reiterado e corrupção ativa majorada. O que a PF diz: Na condição de lÃder da organização criminosa e presidente da Conafer, Carlos Lopes detinha o domÃnio final do fato, determinando e comandando toda a engrenagem ilÃcita entre 2020 e 2025. Comandou os desvios promovidos pela Conafer que resultaram em ganhos de pelo menos R$ 708 milhões das folhas de pagamento de aposentados do INSS por meio de descontos associativos indevidos e sem consentimento, misturando esses fundos com mais R$ 30 milhões oriundos da fraude da Associação de Aposentados e possÃveis emendas parlamentares via Instituto Terra e Trabalho. Coordenou diretamente as ordens de pagamento de propinas mensais à alta cúpula do INSS e a agentes polÃticos em BrasÃlia (DF), determinando de forma expressa que os operadores centrais realizassem o escoamento imediato desses fundos para empresas de fachada, as quais posteriormente custearam seu luxuoso padrão de vida particular, incluindo aquisição imóveis, fazendas, bens luxo, cirurgias plásticas para sua companheira, compra de bovinos e a aquisição de aeronaves. CÃcero Marcelino de Souza Santos, ex-assessor da Presidência da Conafer Indiciado por: organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa. O que a PF diz: Na qualidade de principal operador financeiro e "caixa de propinas", estruturou uma complexa rede de empresas de fachada inoperantes em Presidente Prudente (SP) para escoar e lavar R$ 312,4 milhões desviados da Conafer. Sob as ordens do lÃder Carlos Roberto Ferreira Lopes, CÃcero centralizou o pagamento das propinas mensais para os altos funcionários do INSS e agentes polÃticos, coordenando a emissão de cheques de alto valor, entregas fÃsicas de dinheiro em espécie e a blindagem patrimonial da cúpula do bando por meio da simulação de compra e venda de rebanhos bovinos, latifúndios rurais e frotas de veÃculos e aeronaves de luxo. VirgÃlio Antônio Ribeiro de Oliveria Filho, ex-procurador-geral do INSS Indiciado por: organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva. O que a PF diz: utilizou seu cargo público como pilar de blindagem jurÃdica e regulatória em favor da organização criminosa, incluindo atos de ofÃcio, como participação na liberação de R$ 15 milhões, em troca do recebimento de propinas que somaram ao menos R$ 6,5 milhões de forma dissimuladas, além de um veÃculo de luxo. André Paulo Félix Fidelis Indiciado por: organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva. O que a PF diz: nomeado Diretor de BenefÃcios do INSS após intensa ingerência polÃtica da organização criminosa, Fidelis atuou como facilitador, omitindo-se dolosamente em suas funções fiscalizadoras. Em contrapartida, recebeu ao menos R$ 3,4 milhões em vantagens indevidas, além de um veÃculo. Lavou os fundos ilÃcitos adquirindo imóveis e registrando-os em nome de familiares. LEIA TAMBÉM: Deputado de Minas e ex-ministro de Bolsonaro estão entre os indiciados pela PF por suspeita de fraudes no INSS. No documento, a PolÃcia Federal sugere ainda a abertura de inquérito policial para apuração de possÃvel prática de advocacia administrativa envolvendo o deputado federal Fausto Pinato (União-SP) para desbloqueio de contas da Conafer. O que dizem os citados Em nota, a defesa do ex-presidente do INSS afirmou que, com a conclusão do primeiro inquérito da operação, vai requerer ao STF a revogação da prisão preventiva de Stefanutto. "Diante desse novo cenário processual, a defesa sustenta que a manutenção da prisão preventiva deve ser reavaliada pelo Supremo Tribunal Federal, por entender que a medida cautelar, de natureza excepcional, exige fundamentos concretos e contemporâneos que justifiquem sua permanência". A defesa de VirgÃlio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho afirmou que não vai se manifestar sobre o conteúdo do relatório e que o indiciamento é "ato unilateral da autoridade policial, de natureza opinativa, e não representa um juÃzo de culpa". As demais defesas não se manifestaram até a publicação desta reportagem. Como funcionava o esquema de fraudes do INSS? De acordo com as investigações, o esquema consistia em descontar de aposentados e pensionistas do INSS valores mensais, como se eles tivessem se tornado membros de associações de aposentados, quando, na verdade, não haviam se associado nem autorizado os descontos. A investigação começou em 2023 na CGU, no âmbito administrativo. Em 2024, após a CGU encontrar indÃcios de crimes, a PF foi acionada. Os descontos indevidos nas pensões e aposentadorias pagas pelo INSS podem chegar a R$ 6,3 bilhões, de acordo com os investigadores.