Ex-presidente do BRB quis acelerar compra do Master mesmo sob alertas de irregularidades, revelam mensagens obtidas pela PF
Ex-presidente do BRB é preso em operação da PF As investigações da Polícia Federal (PF) indicam que, mesmo ciente de inconsistências relevantes nas carte...
Ex-presidente do BRB é preso em operação da PF As investigações da Polícia Federal (PF) indicam que, mesmo ciente de inconsistências relevantes nas carteiras ofertadas pelo Banco Master ao Banco de Brasília (BRB) desde o final de 2024, o ex-presidente Paulo Henrique Costa deu aval à compra do banco. Pior que isso: mensagens de Paulo Henrique Costa mostram que ele queria acelerar a transação. A investigação aponta uma atuação dupla do ex-presidente do BRB: ➡️ De um lado, ele teria usado o cargo para ajudar a manter a situação financeira do Banco Master – injetando dinheiro do BRB no Master ao comprar as carteiras de crédito. ➡️De outro, ele teria sido beneficiado diretamente – recebendo vantagens ilegais do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, em troca das decisões que tomou. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 no WhatsApp. Segundo a apuração da PF, não se trata apenas de falhas administrativas ou má gestão, mas de uma participação consciente em um esquema criminoso. As mensagens e os indícios O material obtido pela Polícia Federal nas investigações da operação Compliance Zero indica que Paulo Henrique Costa sabia dos problemas nas carteiras de crédito do Banco Master pelo menos desde o fim de 2024. Mesmo assim, além de dar aval às operações, ele recomendou agilidade nos contratos. Nas mensagens entre Costa e o então diretor financeiro do BRB, Dário Oswaldo Garcia Junior, a PF identificou: pressa fora do normal para fechar negócios aceitação de mudanças nos contratos prioridade para pagamento no mesmo dia e flexibilização de regras internas para evitar novas análises formais. Além disso, ele teria ignorado alertas de áreas técnicas, pareceres jurídicos contrários e relatórios que apontavam falta de repasses, ausência de documentos, problemas nos registros dos contratos e até clientes que diziam não reconhecer as operações. Para os investigadores, não foi um erro isolado, mas 'uma atuação repetida para manter um negócio irregular funcionando'. Em outra troca de mensagens, a investigação aponta indícios de que Paulo Henrique Costa e Daniel Vorcaro teriam combinado um pagamento milionário de propina, que seria feito por meio da entrega de imóveis de alto padrão. Nas conversas, Paulo Henrique diz que fez as contas para chegar ao valor acertado e menciona que o pagamento poderia incluir um imóvel conhecido como Casa Lafer. O então presidente do BRB avisa, ainda, que estava apagando as mensagens da conversa. Daniel Vorcaro responde falando de outros imóveis de luxo, como uma cobertura e o prédio Heritage, discutindo quais seriam melhores para compor o acordo. Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e Presidente do BRB, Paulo Henrique Costa Reprodução e Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília Compliance Zero A 4ª fase da operação "Compliance Zero" investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro para o pagamento de vantagens indevidas destinadas a agentes públicos. Os agentes cumpriram dois mandados de prisão preventiva e sete mandados de busca e apreensão. Segundo a PF, são investigados os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e organização criminosa. BRB e Master O Banco de Brasília (BRB) é um banco público controlado pelo governo do Distrito Federal. Ele aparece no caso Master por ter sido o principal interessado na compra da banco de Daniel Vorcaro e por ter realizado operações financeiras que estão sob investigação. A negociação previa a aquisição de participação relevante no Master e foi apresentada como uma alternativa para evitar a quebra da instituição. No entanto, o Banco Central vetou a operação ao concluir que não havia viabilidade econômico-financeira e que o negócio poderia transferir riscos excessivos ao banco público. Além da tentativa de compra, a Polícia Federal apura se o BRB adquiriu carteiras de crédito problemáticas do Master. O foco é entender se houve falhas nos processos internos de análise, aprovação e governança das operações. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.