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Entenda como medicamentos e suplementos podem influenciar exames laboratoriais

Embora o debate sobre polifarmácia – a utilização de cinco ou mais medicamentos simultaneamente – normalmente esteja associado às interações (às veze...

Entenda como medicamentos e suplementos podem influenciar exames laboratoriais
Entenda como medicamentos e suplementos podem influenciar exames laboratoriais (Foto: Reprodução)

Embora o debate sobre polifarmácia – a utilização de cinco ou mais medicamentos simultaneamente – normalmente esteja associado às interações (às vezes danosas) das substâncias presentes nos remédios, há uma outra questão menos conhecida, mas igualmente relevante. Trata-se das interações entre medicamentos e exames laboratoriais, tema da palestra de Thiago de Melo Costa Pereira, professor da Universidade Vila Velha no 51º. Congresso Brasileiro de Análises Clínicas, que ocorrerá no Rio de Janeiro entre 28 de junho e 1º. de julho. Thiago de Melo Costa Pereira, professor da Universidade Vila Velha: uso de medicamentos pode alterar resultado de exames clínicos Divulgação Pesquisador com atuação nas áreas de farmacologia, bioquímica e fisiologia, o professor tem mais de 560 mil seguidores nas redes sociais no seu perfil @farmaconapratica e outros 255 mil inscritos em seu canal no YouTube, ambos voltados para a divulgação científica. Ele alerta que exames clínicos podem estar “contaminados” pelo uso de medicamentos e, a meu pedido, deu uma lista de exemplos para facilitar a compreensão: “A domperidona é muito usada para refluxo e pode aumentar o nível de prolactina em três ou quatro vezes acima do valor de referência. A alteração está associada ao que chamamos de um interferente, e não a uma doença. Se a informação não for compartilhada com o médico que pediu o exame, o profissional talvez ache necessário solicitar uma ressonância ou tomografia, por suspeitar de uma hipófise aumentada e do risco de um tumor”, detalha. Pereira apresenta outra situação de interação que pode resultar em exames desnecessários e custos extras. Atualmente, a creatina é utilizada como suplemento alimentar para melhorar o rendimento no exercício físico e para evitar a sarcopenia, que é perda progressiva de massa muscular. No entanto, seu uso deve ser comunicado ao médico e ao laboratório de análises clínicas: “A creatina não compromete a função renal, só que, como é metabolizada em creatinina, é natural que os níveis dessa substância – que é um marcador de função renal – aumentem no sangue, mas sem prejuízo para o órgão. Para acompanhar a função renal sem esse interferente, é preciso medir os níveis de ureia e cistatina C, são independentes da creatina”, ensina. Agora no g1 A biotina, popular contra a queda de cabelo e unhas fracas, é mais um exemplo de suplementação bastante comum. Entretanto, pode apontar um quadro falso de hipertireoidismo, porque provoca um TSH (hormônio tireoestimulante) falsamente baixo e um T4 (tiroxina) falsamente alto – sendo este último o principal hormônio produzido pela glândula tireoide e fundamental para regular o metabolismo. Portanto, é indispensável suspender o uso da biotina por dois a sete dias antes do exame. A lista é grande e abrange diversas categorias de medicamentos – de anti-inflamatórios a antipsicóticos. Para evitar problemas, seguem as orientações do professor: Na consulta: é indispensável fazer uma relação de tudo o que está sendo consumido – não somente medicamentos, mas também suplementos, fitoterápicos e até chás. Nos retornos: relate se foi introduzido algum novo remédio ou tratamento. Uma alternativa prática: utilizar os chamados testes rápidos realizados em farmácias. Desde 2023, além da tradicional aferição da pressão arterial, muitas passaram a oferecer exames como glicemia e colesterol, entre outros. Tais testes podem ajudar as pessoas a acompanhar seu tratamento com uma frequência maior entre as consultas, facilitando a identificação precoce de alterações que merecem atenção. Pereira destaca que esses exames devem seguir os mesmos padrões de qualidade e segurança exigidos dos laboratórios clínicos. No Brasil, pesquisas apontam que quase 20% dos idosos se enquadram na polifarmácia, devido à prevalência de enfermidades crônicas, como hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares, insuficiência renal e distúrbios hormonais. Os exames laboratoriais são essenciais para o monitoramento dessas condições e influenciam aproximadamente 70% das decisões médicas. Quando as interferências não são reconhecidas, os impactos podem ser significativos, levando à realização de investigações complementares evitáveis, além de custos e riscos adicionais para os pacientes.

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