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Deputados de SP gastam mais de R$ 25 milhões por mês com gabinetes; PSDB, PT e PP lideram custo médio

Fachada da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) Divulgação/Alesp Com seus 94 representantes, a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), que retom...

Deputados de SP gastam mais de R$ 25 milhões por mês com gabinetes; PSDB, PT e PP lideram custo médio
Deputados de SP gastam mais de R$ 25 milhões por mês com gabinetes; PSDB, PT e PP lideram custo médio (Foto: Reprodução)

Fachada da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) Divulgação/Alesp Com seus 94 representantes, a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), que retoma os trabalhos nesta terça-feira (3), é frequentemente citada como o "maior Parlamento subnacional da América Latina". Para manter a estrutura com tantos gabinetes, os deputados paulistas, juntos, gastam por mês mais de R$ 25 milhões. As bancadas que mais gastam são as do PSDB, do PT e do PP. Segundo o levantamento feito pela TV Globo, o custo médio mensal dessas três bancadas é superior a R$ 315 mil por deputado (confira a metodologia mais abaixo). O PSDB tem oito parlamentares, com gasto médio mensal de R$ 328,5 mil. Já o PT, segunda maior bancada da Alesp, com 17 deputados, tem gasto médio de R$ 319,2 mil, enquanto o PP, com apenas dois parlamentares, tem custo médio de R$ 318,6 mil. Por outro lado, os dois partidos que mais economizam são legendas com apenas um deputado: o Novo, com gasto mensal médio de R$ 176,8 mil, quase metade do gasto médio do PSDB (54%), e a Rede Sustentabilidade, com gasto mensal médio de R$ 235,5 mil. Em nota, a Assembleia Legislativa afirmou que cada gabinete tem autonomia para administrar sua estrutura de trabalho, respeitados os limites estabelecidos (leia mais abaixo). O PSDB afirmou que os valores apurados estão dentro do teto de despesas estabelecido, assim como o PT, que informou que os gastos de seus deputados estão abaixo dos limites legais fixados pela Assembleia. O PT afirmou ainda que o levantamento não considera fatores como a região do parlamentar, o que impacta em despesas de locomoção, e tampouco o desempenho no cumprimento de suas atividades. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Já o PP disse que os gastos refletem "a estrutura necessária para um mandato ativo, presente em mais de 160 municípios do Estado e comprometido com resultados, transparência e interesse público". Mais econômicos, tanto a Rede quanto o Novo refutaram a hipótese de baixo gasto implicar em pouco trabalho. "O uso responsável dos recursos públicos é um valor central do mandato", informou a liderança da Rede, da deputada Marina Helou. "O limite das verbas disponíveis não é visto como uma meta de gasto, mas como um teto que deve ser utilizado com o máximo de zelo e critério." A liderança do Novo, do deputado Léo Siqueira, que também é o segundo parlamentar que menos gasta, afirmou que "a ideia de que 'gastar menos significa trabalhar menos' é uma inversão da lógica da boa gestão. Eficiência significa fazer mais com menos, e é exatamente isso que praticamos". O valor total considera os salários de funcionários a que cada parlamentar tem direito e os custos administrativos de gabinete, que são reembolsados. Segundo a própria Alesp, são permitidos até 23 cargos por gabinete. Os salários vão de R$ 4,5 mil a R$ 22 mil, mas esses valores podem superar os R$ 33 mil quando somadas gratificações a que alguns cargos têm direito. Além disso, os gastos da verba de gabinete de que dispõem os parlamentares, que em 2025 correspondiam a R$ 46.275 mensais, podem acumular em um mesmo ano. Em 2026, o valor foi reajustado para R$ 48.025. Em termos individuais, por mês, cada deputado gasta em média R$ 294 mil, somados pessoal e custos de gabinete. Há, no entanto, deputados que gastam mais de três vezes o valor de outros colegas. É o caso do petista Ênio Tatto e do tucano Carlão Pignatari, com gasto mensal superior a R$ 450 mil cada um, enquanto a colega de bancada de Carlão, Bruna Furlan, gasta cerca de R$ 136 mil (veja os valores na tabela abaixo). Enio Tatto afirmou que, "ao contrário de uma atuação restrita às redes sociais ou ao gabinete, exerce o mandato de forma presencial e ativa, percorrendo o território paulista e cumprindo, de maneira efetiva, sua função constitucional de representar e fiscalizar em nome da população". Já Carlão Pignatari não respondeu até a última atualização desta reportagem. Sua correligionária, Bruna Furlan, disse que mantém no gabinete uma equipe "enxuta, técnica e competente, capaz de executar todas as ações que foram rigorosamente planejadas logo após a eleição". Os deputados Enio Tatto (PT) e Carlão Pignatari (PSDB) Alesp Metodologia Para o cálculo, a TV Globo considerou 87 dos 94 deputados que tiveram mandato ininterrupto durante um período de 28 meses — quatro parlamentares deixaram a Casa após se elegerem prefeitos em 2024, outros dois foram nomeados secretários nos governos municipal e estadual, e houve ainda uma perda de mandato após retotalização de votos pelo TRE-SP. Os valores levam em conta os gastos desde o primeiro mês cheio da Legislatura atual, abril de 2023, até julho de 2025, percorrido 60% do mandato. Para chegar à informação sobre os salários dos servidores lotados em cada gabinete durante o período de interesse, foi feito o cruzamento entre duas bases de dados disponibilizadas no site da Assembleia. Dos 6.837 servidores analisados, não foi encontrada correspondência exata do nome para menos de 0,5%, impossibilitando a consulta exata do total dos salários. Para fins estatísticos, tal desvio percentual é desprezível. O que dizem os envolvidos Leia os posicionamentos na íntegra: Alesp A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo informa que os gabinetes dos deputados estaduais podem ter até 23 servidores e possuem limite de despesas mensais – por reembolso - de até 1.250 Ufesps. Todos os dados são públicos e estão disponíveis no site da Alesp. Cada gabinete tem autonomia para administrar sua estrutura de trabalho. PSDB No que se refere ao gasto médio mensal dos Deputados da Bancada do PSDB, informamos que os valores apurados encontram-se dentro do teto de despesas estabelecido pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, observadas integralmente as normas internas da Casa. Quanto a eventuais comparações entre despesas individuais de gabinetes parlamentares, esclarecemos que informações de caráter específico e individualizado devem ser solicitadas diretamente aos respectivos Gabinetes, por se tratar de matéria afeta à competência administrativa de cada parlamentar. PT Os gastos dos deputados estaduais do PT estão abaixo dos limites legais do orçamento fixado e disponibilizado pela Assembleia Legislativa de São Paulo para despesas com pessoal e verba de gabinete. A Bancada do PT é a segunda maior da Alesp, com 17 parlamentares, e cumpre rigorosamente as normas legislativas. O levantamento sobre gastos não leva em conta se o parlamentar é do interior ou da capital (e isso impacta no valor das despesas com locomoção, por exemplo) e tampouco o desempenho dos deputados – e da Bancada como um todo – no cumprimento de suas atividades, seja na fiscalização dos atos do Executivo ou na elaboração, debate e aprovação de leis. PP Em resposta ao seu questionamento, queremos informá-lo que os gastos do mandato do deputado Delegado Olim estão integralmente dentro da legalidade e seguem rigorosamente as normas estabelecidas pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). Todas as despesas são auditadas e fiscalizadas pelo Núcleo de Fiscalização e Controle da Alesp, garantindo total transparência, regularidade e responsabilidade no uso dos recursos públicos. O mandato atua com um amplo número de assessores distribuídos por todas as regiões do Estado de São Paulo, o que permite um acompanhamento próximo das demandas locais e uma atuação efetiva junto aos Conselhos Comunitários de Segurança (CONSEGs), lideranças regionais e representantes da sociedade civil. Além disso, há um trabalho permanente voltado ao atendimento de demandas na área da saúde, bem como à realização de estudos minuciosos para a destinação de emendas parlamentares, assegurando que esses recursos auxiliem de forma eficiente as prefeituras e atendam às reais necessidades da população. O mandato também investe na elaboração de projetos modernos e tecnicamente fundamentados, sempre com o objetivo de promover melhorias concretas, fortalecer políticas públicas e atuar em favor do bem-estar e da segurança da população paulista. Todos os gastos refletem, portanto, a estrutura necessária para um mandato ativo, presente em mais de 160 municípios do Estado e comprometido com resultados, transparência e interesse público. Rede O uso responsável dos recursos públicos é um valor central do mandato da deputada estadual Marina Helou. Desde o início de sua trajetória na Assembleia Legislativa, em 2019, a parlamentar estabeleceu como princípio que a gestão do gabinete seja pautada pela transparência e pela eficincia. O valor abaixo da média é reflexo de um cuidado rigoroso em todas as etapas de contratação, buscando sempre profissionais qualificados e prestadores de serviço com valores compatíveis aos praticados no mercado. Para o mandato, o limite das verbas disponíveis não é visto como uma meta de gasto, mas como um teto que deve ser utilizado com o máximo de zelo e critério. É fundamental ressaltar que essa gestão austera caminha lado a lado com uma atuação parlamentar de alto impacto. Marina Helou é uma das deputadas mais produtivas da Alesp, com mais de 20 leis sancionadas e reconhecimento nacional por iniciativas como a lei que proíbe o uso de celulares nas escolas. Outro destaque de impacto é a articulação de iniciativas legislativas que coloquem o bem-estar da população acima de disputas ideológicas: Marina é coordenadora da Frente Parlamentar Ambientalista de São Paulo, da Rede Nacional de Frentes Ambientalistas Estaduais, assim como da Frente Parlamentar da Primeira Infância e da Rede Nacional de Frentes Parlamentares da Primeira Infância. O cuidado com o dinheiro público se reflete também na destinação das emendas parlamentares, pois a deputada acredita na importância da população nas decisões orçamentárias da cidade. Por isso, desde 2020 realiza editais de emendas em parceria com o mandato da vereadora Marina Bragante, através do 'Edital de Emendas Marinas por São Paulo', iniciativa que faz com que a sociedade civil tenha um papel ativo na destinação desses recursos. Por fim, os resultados alcançados - a exemplo da aprovação de três projetos de lei apenas em dezembro passado - demonstram que a produtividade de um mandato não está vinculada ao volume de gastos, mas sim à qualidade técnica e ao compromisso estratégico do trabalho realizado. Novo/Léo Siqueira O fato de nosso gabinete apresentar gastos significativamente abaixo da média não é sinal de baixa atuação — é exatamente o oposto. Desde o início do mandato, estabelecemos um princípio simples: recurso público não é orçamento a ser “consumido”, é dinheiro do contribuinte que precisa ser usado com eficiência e propósito. A lógica de que um gabinete só é atuante quando gasta todo o limite disponível parte de uma cultura antiga da política, que confunde volume de despesa com produtividade. Nosso modelo é baseado em três pilares: 1. Eficiência de equipe Mantemos uma equipe técnica enxuta, altamente qualificada e orientada a resultados. Produtividade não é função do número de cargos, mas da qualidade das entregas. 2. Foco em impacto, não em estrutura Priorizamos projetos legislativos estruturantes e produção técnica, em vez de inflar estruturas administrativas. 3. Respeito ao dinheiro público O limite de gasto é um teto, não uma meta. Economizar recursos sem comprometer o desempenho do mandato é uma obrigação de quem defende responsabilidade fiscal. Os resultados demonstram isso: temos 16 projetos de lei de alto impacto, sendo 3 projetos de Lei aprovados e 2 já viraram leis. Afastamos conselheiros da Petrobrás e da Previ por conflitos de interesse. Barramos mais de 500 milhões em gastos. E fomos eleitos o melhor deputado estadual do Brasil. A ideia de que “gastar menos significa trabalhar menos” é uma inversão da lógica da boa gestão. Eficiência significa fazer mais com menos, e é exatamente isso que praticamos. DEPUTADOS Enio Tatto (PT) O deputado estadual Enio Tatto mantém uma atuação parlamentar ampla e consistente, que se estende para além da capital paulista e alcança diversos municípios do estado de São Paulo. Ao contrário de uma atuação restrita às redes sociais ou ao gabinete da Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP), o deputado exerce o mandato de forma presencial e ativa, percorrendo o território paulista e cumprindo, de maneira efetiva, sua função constitucional de representar e fiscalizar em nome da população. Entre 2023 e 2025, como prova desse compromisso, o parlamentar esteve em 90 municípios para promover e participar de audiências públicas sobre o orçamento estadual, atuando como membro efetivo da Comissão de Finanças, Orçamento e Planejamento da ALESP. Além dessas visitas, realizou inúmeras outras viagens para cumprir diferentes agendas e compromissos, reforçando sua presença ativa em todo o território paulista. Sua atuação fortalece a participação popular, amplia o diálogo com a sociedade e assegura maior transparência na construção das políticas públicas. Trata-se de um mandato presente nas ruas, atento às demandas reais do dia a dia, o que também se reflete na gestão dos gastos públicos. No que diz respeito à verba de gabinete, cabe ressaltar que o mandato do deputado Enio Tatto atende rigorosamente as normas e diretrizes estabelecidas pela ALESP, sendo que todos os procedimentos realizados ocorrem de forma legal, em total conformidade com a legislação vigente. O mandato do deputado Enio Tatto segue pautado pelo compromisso com a ética, a transparência e a presença ativa junto à população paulista. Carlão Pignatari (PSDB) Não respondeu até a publicação desta reportagem. Bruna Furlan (PSDB) Trabalho muito e gasto pouco e sei que essa não é a regra no Brasil. Mantenho no gabinete uma equipe enxuta, técnica e competente, capaz de executar todas as ações que foram rigorosamente planejadas logo após a eleição, antes mesmo de iniciar o mandato. Sequer utilizo placa oficial no veículo disponibilizado pela Alesp e o combustível é usado exclusivamente no deslocamento para as ações de mandato. Fui eleita e reeleita para presidir a Comissão da Saúde na Assembleia. Apresentei um plano de trabalho que foi executado do começo ao fim. Nos últimos três anos, promovemos audiências públicas nos 17 Departamentos Regionais de Saúde (DRS) do estado, englobando 645 municípios paulistas, e debatemos e deliberamos na Comissão dezenas de projetos de lei de interesse da população. Aproximamos a Alesp da Academia, valorizando o papel das universidades em pesquisa, ensino e assistência na saúde. As emendas parlamentares de minha autoria também foram distribuídas de forma equilibrada, contemplando municípios de todas as regiões do Estado, com foco em demandas reais, especialmente na área da saúde. Meu mandato é cumprido com muito trabalho, agenda intensa na Alesp, e atividades desenvolvidas com utilização racional dos recursos públicos.

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