cover
Tocando Agora:

Visitantes

2 Online
680411 Visitas

A Rádio de todos os tempos

De vendedora de flores a primeira santa das Américas: saiba quem foi Santa Rosa de Lima

De vendedora de flores a primeira santa das Américas: saiba quem foi Santa Rosa de Lima Divulgação Neste domingo (23), a Igreja Católica celebra Santa Rosa ...

De vendedora de flores a primeira santa das Américas: saiba quem foi Santa Rosa de Lima
De vendedora de flores a primeira santa das Américas: saiba quem foi Santa Rosa de Lima (Foto: Reprodução)

De vendedora de flores a primeira santa das Américas: saiba quem foi Santa Rosa de Lima Divulgação Neste domingo (23), a Igreja Católica celebra Santa Rosa de Lima, primeira pessoa das Américas canonizada pela Igreja e padroeira da América Latina. A santa peruana também é tradicionalmente considerada padroeira dos floristas e jardineiros, em razão da relação que teve com o cultivo de flores desde a juventude. Nascida Isabel Flores y Oliva, em 1586, ela dedicou a vida à oração e à penitência, mas também ao cuidado com pessoas pobres, indígenas, escravizadas e doentes. Sua história reúne relatos de experiências místicas, sacrifícios e curas atribuídas à sua intercessão. Em São Sebastião, no Litoral Norte de São Paulo, a Paróquia Santa Rosa de Lima, no bairro Jaraguá, terá uma programação especial neste domingo. A procissão começa às 18h e será seguida pela celebração da missa. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp No dia dedicado à santa, o g1 conversou com o padre Mateus Delgado da Cunha, pároco da Paróquia Santa Rosa de Lima, em São Sebastião, para conhecer a história da religiosa peruana. Agora no g1 De Isabel a Rosa Isabel Flores y Oliva nasceu em 20 de abril de 1586, em Lima, no Peru. Filha de espanhóis, cresceu em uma família que perdeu boa parte das condições financeiras. Para ajudar os pais, passou a cultivar rosas e outras flores e vendê-las no mercado. Segundo o padre Mateus, a menina chamava atenção pela beleza. Uma mulher indígena que cuidava dela teria ficado impressionada com sua aparência e passado a chamá-la de Rosa. “Santa Rosa é uma criança que nasceu com uma beleza diferenciada, que tinha como uma cuidadora uma indígena que, surpreendida pela beleza dela, a chama de Rosa, pela beleza dela", contou o padre. O apelido, porém, não agradava Isabel. Desde cedo, ela decidiu dedicar a vida a Deus e assumir um compromisso de castidade. Os pais, por outro lado, esperavam que ela se casasse e ajudasse a recuperar a condição financeira da família. A mãe chegou a exibir a beleza da filha para tentar encontrar um pretendente. “Os pais tinham uma perspectiva de que ela conseguisse um casamento que possibilitasse o bem-estar dela e da família. Voltasse, de repente, a ter uma condição melhor dentro da sociedade", disse. Paróquia Santa Rosa de Lima, em São Sebastião - SP Divulgação Para afastar a vaidade e os pretendentes, há relatos de que Rosa teria cortado os cabelos e adotado práticas de penitência. Também existem relatos de que teria ferido o próprio rosto ou usado pimenta na pele, embora o padre ressalte que essas informações não são facilmente documentadas. “Jovem, ela corta o cabelo, porque ela quer vencer a vaidade em si mesma e tem essa busca de viver de fato para Nosso Senhor Jesus Cristo", narrou o religioso. Isabel não gostava de ser chamada de Rosa, mas, segundo relatos religiosos, porém, ela teria vivido uma experiência mística com Nossa Senhora, que a teria chamado de Rosa. A partir disso, passou a aceitar o nome por outro significado. “Tem relatos que dizem que, numa experiência mística com Nossa Senhora, Nossa Senhora a teria chamado de Rosa. Então, ela assume esse nome com mais tranquilidade, considerando que, por amor à Nossa Senhora, ela seria a rosa de Santa Maria.” Foi assim que passou a ser conhecida como Rosa de Santa Maria. Paróquia Santa Rosa de Lima, em São Sebastião - SP Divulgação Uma vida de oração e penitência Influenciada pela espiritualidade de Santa Catarina de Sena, Rosa ingressou na Ordem Terceira de São Domingos. Como não havia, na época, uma congregação feminina dominicana, ela passou a viver a espiritualidade da ordem sem deixar a casa dos pais. Aos 20 anos, conseguiu autorização para construir um pequeno quarto no fundo da residência. Ali, dedicou-se à oração, ao jejum e à penitência. Segundo o padre, Rosa usava uma coroa de espinhos com rosas para representar sua união com o sofrimento de Cristo. “Ela assume uma coroa de espinhos onde coloca rosas, oferecendo esse sacrifício da dor do espinho ao Nosso Senhor Jesus Cristo, pelos seus sofrimentos, em desagravo aos pecados.” Mas a vida de Rosa não ficou restrita à oração. Ela também desenvolveu um intenso trabalho de cuidado com pobres, indígenas, pessoas escravizadas e doentes. “É uma mulher que dedicou a sua vida muito por amor a Jesus Cristo, olhando para aqueles que mais necessitavam.” Paróquia Santa Rosa de Lima, em São Sebastião - SP Divulgação Relato de cura Entre os relatos de milagres atribuídos a Santa Rosa está o atendimento a um homem que sofria com feridas pelo corpo e era rejeitado por outras pessoas por causa da gravidade da doença. Segundo o padre Mateus, quando outras pessoas não conseguiam se aproximar do enfermo, Rosa decidiu ajudá-lo. “Ela vai, pega uma cabaça de água e vai levar água para ele. Então levanta sua nuca para que possa beber da água, e ali ele clama misericórdia de Deus, pede auxílio, e ela orienta a pedir o auxílio de Deus.” Ainda de acordo com o relato, Rosa teria beijado as feridas do homem, que depois teria sido curado. “Ela beija suas chagas, tomadas na mão e no corpo, e ele obtém a cura.” O sacerdote explica que esse é um dos relatos de cura atribuídos à santa. A história também ajuda a mostrar a relação de Rosa com pessoas que eram rejeitadas pela sociedade. Paróquia Santa Rosa de Lima, em São Sebastião - SP Divulgação O relato dos piratas holandeses Outra história ligada à santa envolve uma suposta ameaça de invasão de piratas holandeses em Lima. Segundo a tradição, diante do medo provocado pela aproximação dos piratas, Rosa teria se juntado à população para rezar. O navio dos invasores teria afundado, e uma âncora passou a ser associada ao episódio. Para o padre Mateus, o objeto ganhou um significado religioso. “Essa âncora, esse sinal de que ela esteve ancorada em Nosso Senhor. E quando você está ancorado em Deus, nenhum mal te abate.” Segundo relatos religiosos, Rosa teria previsto a própria morte. Ela morreu em 24 de agosto de 1617, aos 31 anos. A data coincidia com a celebração de São Bartolomeu. Por isso, a festa de Santa Rosa foi inicialmente estabelecida para 30 de agosto. Posteriormente, a Igreja mudou a celebração para 23 de agosto, data adotada atualmente. Paróquia Santa Rosa de Lima, em São Sebastião - SP Divulgação Canonização O processo de canonização começou em 1668 e foi concluído três anos depois. Santa Rosa de Lima foi canonizada pelo Papa Clemente IX, em 1671. Relatos piedosos contam que o pontífice teria resistido inicialmente à canonização, mas uma chuva de rosas teria caído sobre ele e sido interpretada como um sinal. Santa Rosa se tornou a primeira pessoa das Américas canonizada pela Igreja Católica e foi declarada padroeira da América Latina. Segundo o padre Mateus, a história da santa também representa a realidade de muitos povos latino-americanos. “Ela é uma santa que representa bem a realidade da América Latina, de um povo sofrido, de muita gente que sofreu na pobreza, e foram esses os quais o seu olhar teve voltado no seu apostolado.” Celebração em São Sebastião A Paróquia Santa Rosa de Lima fica no bairro Jaraguá, em São Sebastião, e completa 10 anos em 2026. Segundo o padre, a comunidade vem trabalhando para fortalecer a devoção à santa. Durante os últimos anos, uma imagem de Santa Rosa passou por casas de moradores, aproximando a história da santa dos fiéis. A paróquia também recebeu uma relíquia relacionada a Santa Rosa, que será distribuída aos fiéis durante a celebração deste domingo. A programação começa às 18h, com uma procissão pelas ruas próximas à paróquia. Durante o percurso, os fiéis rezarão a chamada coroinha de Santa Rosa, acompanhada de músicas de oração. Depois, haverá missa. “Eu creio que o povo está começando a fazer essa experiência cada vez mais profunda com o testemunho dela.” A festa social da comunidade será realizada em setembro. A celebração deste domingo será dedicada exclusivamente à programação religiosa. *Estagiário colaborou sob supervisão de Alice Aires. Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina

Fale Conosco