Boicote de 12 países a assentamentos da Cisjordânia deve levar Netanyahu a recalcular retaliações
Reino Unido e 11 países impõem sanções a assentamentos na Cisjordânia O que era ser um boicote do Reino Unido aos produtos oriundos de assentamentos israel...
Reino Unido e 11 países impõem sanções a assentamentos na Cisjordânia O que era ser um boicote do Reino Unido aos produtos oriundos de assentamentos israelenses na Cisjordânia transformou-se rapidamente numa coalizão de 12 países — 11 europeus e o Canadá —, surpreendendo o governo de Benjamin Netanyahu. As justificativas abrangeram expressões duras como “limpeza étnica” de palestinos e críticas à “vista grossa” de Israel diante da violência de colonos extremistas. O impacto das sanções para Israel é mais político e menos econômico, já que apenas 5% das exportações israelenses provêm das colônias. Em busca de um sétimo mandato, Netanyahu luta para manter unida sua base de pequenos partidos radicais, a pouco mais de um mês das eleições. Pesquisas de opinião para o pleito de 27 de outubro mostram o principal partido de oposição, o Yashar, liderado por Gadi Eisenkot, à frente do Likud, do premiê. Mas, ao longo de sua carreira, Netanyahu provou que, mesmo quando não foi o mais votado, teve habilidade para agregar ultraortodoxos e extremistas para garantir a maioria parlamentar e consolidar-se como o primeiro-ministro mais longevo do país. Netanyahu se fiava na falta de consenso na União Europeia para aplicar sanções que proibissem a importação de produtos de assentamentos. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, durante sessão no Parlamento em 16 de julho de 2026 Ronen Zvulun/Reuters A recente mudança de governo no Reino Unido, contudo, resultou também na mudança de tom em relação à onda de violência de colonos contra aldeias palestinas. A ONU contabilizou 1.400 ataques este ano, 18 mortos e o deslocamento de mais de 41 mil pessoas na Cisjordânia. Na tentativa de assegurar a solidez de sua base, o governo Netanyahu anunciou este mês a licitação de cerca de 1.200 casas na área E1, considerada estratégica na Cisjordânia. Na prática, a construção dividiria o território em dois e isolaria Jerusalém Oriental, enterrando, de vez, a solução de dois Estados. Em discurso contundente no Parlamento britânico, o secretário de Relações Exteriores, Ed Miliband, descreveu-se como um judeu orgulhoso e decretou a ilegalidade da ocupação israelense da Cisjordânia, anunciando sanções ao comércio com assentamentos. As restrições incluem a prestação de serviços, como construção e financiamento das colônias e a proibição de anunciá-los no Reino Unido, além de sanções pessoais contra os acusados de promover a violência dos colonos. Entre eles, os ministros Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich, ambos colonos. O governo israelense revidou o que chamou de “mentiras ultrajantes” de Miliband, com medidas retaliatórias, como o fechamento do consulado britânico em Jerusalém e a proibição da entrada em Israel de 12 parlamentares e ativistas britânicos. Mas a adesão em bloco de outros 11 países obrigará Netanyahu a recalcular esta estratégia para não ter que enfrentar o desgaste de anunciar retaliações simultâneas contra França, Canadá, Espanha, Dinamarca, Finlândia, Irlanda, Islândia, Noruega, Portugal, Polônia e Suécia. Agora no g1 Como observou Michael Ben Yair, ex-procurador-geral de Israel, em artigo no jornal “Financial Times”, para sustentar a ocupação, as instituições estatais foram cooptadas pelo movimento dos colonos. A única maneira significativa de corrigir o rumo, segundo ele, é a comunidade internacional deixar claro que haverá consequências para essa política. “É por isso que as medidas do governo britânico são tão importantes. Essas sanções não são um ataque ao Estado de Israel; elas diferenciam a legitimidade do país da ocupação, que é moral, política e juridicamente inaceitável”, ponderou Yair, também ex-juiz da Suprema Corte.