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Após ser presa por elo com líder do PCC, musa da Gaviões diz que retorno ao Sambódromo é 'renascimento'

Natacha Horana volta a desfilar pela Gaviões após 4 meses presa em SP Musa da Gaviões da Fiel, a atriz e dançarina Natacha Horana, de 33 anos, voltou aos de...

Após ser presa por elo com líder do PCC, musa da Gaviões diz que retorno ao Sambódromo é 'renascimento'
Após ser presa por elo com líder do PCC, musa da Gaviões diz que retorno ao Sambódromo é 'renascimento' (Foto: Reprodução)

Natacha Horana volta a desfilar pela Gaviões após 4 meses presa em SP Musa da Gaviões da Fiel, a atriz e dançarina Natacha Horana, de 33 anos, voltou aos desfiles das escolas de samba de São Paulo no carnaval deste ano, após ficar quatro meses presa na Penitenciária Feminina de Franco da Rocha, na Grande SP. Ela foi detida em novembro de 2024, durante a Operação Argento, que investigou o líder do Primeiro Comando da Capital (PCC) Valdeci Alves dos Santos, o Colorido. Segundo o Ministério Público do Rio Grande (MP-RN), a ex-bailarina do Faustão teve um relacionamento com Valdeci e teria tido as contas pessoais usadas para lavagem de dinheiro do crime organizado. Ela nega as acusações e diz que foi enganada pelo seu ex-namorado. Os promotores potiguares afirmam que as empresas movimentadas pelo líder do PCC fizeram vários depósitos para as contas de Natacha, motivo pelo qual ela foi presa. A musa foi solta em março de 2025, após meses de detenção. No carnaval do ano passado, ela afirma que já estava com a fantasia pronta para desfilar, esperando um habeas corpus da Justiça para entrar na Avenida. “É o meu quinto ano na Gaviões, onde desfilo desde 2021. Mas essa volta para mim está sendo como uma estreia, porque o carnaval faz parte da minha vida e da construção da minha carreira. Ano passado eu estava presa e mesmo assim acompanhei o desfile de lá. Minha fantasia estava pronta para eu poder desfilar, na esperança de eu ser solta. Se eu saísse sábado de manhã, eu iria desfilar. Mas [o Judiciário] entrou em recesso, e o habeas corpus só saiu depois do carnaval”, relata. Natacha Horana foi presa em 2024 durante a ‘Operação Argento' e agora volta a desfilar pela Gaviões da Fiel. Reprodução/Instagram “Ficar longe e a falta de liberdade de não poder falar, me defender [publicamente], foi muito traumatizante. Agora, estar na Avenida neste ano é uma coisa tipo de renascimento, de liberdade. Tipo: ‘Meu Deus, passei pelo pão que o diabo amassou, pela vida e a morte, e agora estou reconquistando as minhas coisas’, provando a minha inocência. Então, essa volta está sendo um renascimento”, disse a bailarina. Relacionamento Valdeci Alves dos Santos, o Colorido, está preso na Penitenciária Federal de Brasília, suspeito de lavar mais de R$ 23 milhões do PCC. Ele chegou a ser apontado como um dos braços-direitos de Marcos Herbas Camacho, o Marcola, no Nordeste. Foragido por quase dez anos, Valdeci teria se escondido na Bolívia, de onde continuava a atuar no tráfico de drogas da facção. Nesse período, fez procedimentos estéticos para mudar a aparência. Ele foi preso em abril de 2022, durante uma blitz da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no sertão de Pernambuco, quando viajava com Natacha. Valdeci usava documentos falsos, mas acabou identificado após verificação por biometria facial, que confirmou se tratar de um criminoso de alta periculosidade procurado pela Justiça. Valdeci Alves dos Santos, o 'Colorido', líder do PCC, antes e depois das plásticas para se manter foragido da Justiça. Montagem/g1/Reprodução/TV Globo Natacha diz que conheceu Valdeci como Joaquim, um empresário e dono de fazendas de gado. No início, ela contou em entrevistas que eles eram apenas amigos. O relacionamento entre os dois durou cerca de três meses, segundo ela. Mesmo assim, ela foi visitar o ex-companheiro ao menos quatro vezes na Penitenciária de Segurança Máxima de Brasília, onde estão detidos os principais líderes do PCC. O registro das visitas é uma das evidências que levaram o MP-RN a investigar e pedir a prisão da bailarina. Apesar de ter sido solta no final de março do ano passado, Natacha ainda responde processo criminal sob acusação de lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito e de fazer parte de uma organização criminosa. “Eu o conheci com outro nome, foi um breve relacionamento. Ele me fez alguns PIX e por isso me relacionaram a ele”, afirmou. Natacha Horana e Valdeci Alves dos Santos, o Colorido, tiveram um relacionamento de cerca de três meses, segundo a moça. Reprodução/Redes Sociais Os promotores do MP-RN dizem que, em dez anos – entre 2014 e 2024 - ela movimentou mais de R$ 15 milhões em suas contas, quantia, segundo os acusadores, incompatível com a renda. Eles afirmam que ela teria sido usada como uma espécie de laranja do líder do PCC. Na ocasião da Operação Argento, o MP-RN denunciou à Justiça a bailarina outras 17 pessoas, pedindo o bloqueio na Justiça de R$ 2,2 bilhões em bens dos investigados. Natasha afirma, no entanto, que sua carreira foi feita de vários ganhos como artista, fazendo trabalhos de publicidade e outras apresentações artísticas. “Eu não cometi nenhum crime. Eles estão me associando com isso, mas meu advogado está provando a minha inocência. Fui solta porque eles não tinham prova suficiente para me manter presa. Infelizmente a Justiça demora, mas eu confio que ela vai ser feita. Infelizmente tive que passar por isso, ser presa por uma coisa que não fiz”, afirmou Natacha ao g1. Liberdade, depressão e samba O envolvimento com Valdeci levou Natacha a uma penitenciária, onde ela afirma que quase não comia nem bebia. A musa diz também que durante o período em que esteve presa desenvolveu depressão e síndrome do pânico. Ela diz estar em tratamento e que a volta à quadra da Gaviões para os ensaios do carnava também faz parte dessa recuperação. Natacha Horana volta a desfilar pela Gaviões em São Paulo. Montagem/g1/Reprodução/Instagram “Foi muito difícil porque eu saí de lá com vários traumas, com depressão, síndrome do pânico e tive que ser medicada. Mas como eu fui muito abraçada pela Gaviões, também foi uma terapia estar ali, danças, voltar ao palco. Ali eu me sinto em casa." “Eu danço desde pequenininha, e a dança me deixa viva e me faz feliz. Então, voltar para a quadra foi uma terapia. Estar com as pessoas que eu gosto, dançar...”, contou. “[A prisão] é um lugar de muita tristeza. Um lugar onde você não se alimenta bem e a saúde é precária. Tudo é precário. Se você não tiver a mente boa, você pira. É loucura. E o que dá mais coragem é ter uma base familiar que ajude, amigos próximos. E foi o que eu tive”, contou. A musa da Gaviões, com quase 1 milhão de seguidores no Instagram, se descreve nas redes como "escritora em construção", porque pretende lançar um livro de memórias contando um pouco do que viveu na prisão. Ela também abriu um projeto social com amigas para ajudar detentas abandonadas pela família e que não têm como reconstruir a vida. “Depois que eu passei por lá, me abriu o olho para a situação dessas mulheres, que precisam de uma segunda chance, independentemente do que tenham feito. A gente está nesse processo de abrir uma ONG, mas por ora é apenas um projeto social. Depois que eu saí do cárcere, eu vi como a mulher sai de lá sem nada. Sem roupa, sem ajuda para nada. A gente oferece ajuda psicológica, apoio jurídico no processo”, adiantou. 'Vozes de um Novo Amanhã' Gaviões da Fiel aposta em legado indígena no Carnaval de SP com enredo 'Vozes Ancestrais' Para marcar a volta ao Sambódromo, ela diz que vai usar uma fantasia cheia de efeitos especiais, cristais e penas que, segundo Natacha, “nenhuma musa da Gaviões já usou”. Neste ano ela vai desfilar na frente da décima ala da Gaviões. A agremiação será a quarta escola a entrar no Sambódromo do Anhembi, no dia 14 (veja a ordem de todos os desfiles aqui). O desfile está marcado para a 1h45, e a escola levará para a Avenida o samba-enredo "Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã", celebrando luta, resistência e legado dos povos indígenas do Brasil. Natacha Horana volta a desfilar pela Gaviões da Fiel em 2026. Divulgação Na ocasião da prisão da bailarina, o advogado de defesa dela divulgou nota oficial onde chamou a ação do MP-RN de "abusiva e injustificada". "Conforme se demonstrou no processo, sua menção e prisão foi um equívoco porque ela jamais praticou qualquer ato ilícito, direto, indireto ou colaborativo. E, diante disso, e principalmente pela inexistência de indícios de seu envolvimento e motivos para a continuidade dessa medida, aguarda-se o exame de pedidos feitos visando o imediato restabelecimento de sua liberdade e dignidade”, disse a nota. Nota da defesa de Natacha Horana após prisão decretada pela Justiça. Reprodução/Redes Sociais.

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