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Após aula de pilates, paciente foi parar na UTI; entenda a rabdomiólise, efeito tóxico do exercício intenso

Uma simples aula de pilates levou a pesquisadora Juliana Pegos para a UTI. Após o treino, ela desenvolveu rabdomiólise — condição provocada pela destruiç...

Após aula de pilates, paciente foi parar na UTI; entenda a rabdomiólise, efeito tóxico do exercício intenso
Após aula de pilates, paciente foi parar na UTI; entenda a rabdomiólise, efeito tóxico do exercício intenso (Foto: Reprodução)

Uma simples aula de pilates levou a pesquisadora Juliana Pegos para a UTI. Após o treino, ela desenvolveu rabdomiólise — condição provocada pela destruição intensa das fibras musculares, que libera substâncias tóxicas na corrente sanguínea. Depois de cinco dias internada, decidiu usar a própria história para alertar sobre os sinais da doença, que pode ser grave e, em casos extremos, fatal. Participe do canal do g1 no WhatsApp Juliana faz atividade física há dez anos e pilates há um ano. Na última semana, passou por uma aula com exercícios novos e, no dia seguinte, começou a sentir um incômodo. Na sequência, os braços ficaram inchados e ela procurou atendimento médico. No primeiro atendimento, o médico achou que era uma inflamação. Ele me receitou anti-inflamatório, colocou tipóia nos braços e me pediu para buscar um especialista porque achou que era alguma lesão no braço. Ela conta que sentia era uma dor insuportável, que a impedia de mexer os braços e dificultava até tarefas básicas. Ela decidiu procurar o especialista no dia seguinte e foi aí que veio o choque: ele disse que poderia ser algo muito mais grave. 🏋️ Durante o exercício, nossos músculos passam por um processo natural de desgaste que gera microlesões das fibras musculares. Essa “quebra” é uma resposta normal ao esforço físico e leva à ativação de enzimas, que depois são metabolizadas pelo fígado e pelos rins. (Entenda o caso mais abaixo) No caso dela, a lesão era tão grave que essas substâncias foram produzidas em excesso, e ela precisou passar cinco dias internada. Após ter alta, compartilhou o relato nas redes sociais para alertar as pessoas sobre os sinais da doença, que pode ser fatal. "Eu não esperava esse diagnóstico, ainda mais com pilates. Eu estava hidratada, alimentada, faço atividade física há muitos anos. Então, usei o meu caso como alerta para que as pessoas estejam atentas ao corpo, porque a primeira coisa que a gente pensa ao sentir uma dor assim é que o treino foi bom, intenso. Mas, se eu esperasse mais, teria me colocado em risco. Entenda a rabdomiólise a partir dos pontos abaixo: Como acontece? Pode acontecer com qualquer pessoa? O risco é só para pessoas que praticam pilates? O que fazer para evitar? Como acontece a rabdomiólise? Segundo Karina Hatano, médica do esporte do Espaço Einstein, a doença acontece por uma lesão muscular aguda. 🏋️ Durante o exercício, nossos músculos passam por um processo natural de desgaste que gera microlesões das fibras musculares. Essa "quebra" das fibras musculares é uma resposta normal ao esforço físico e levam à ativação de enzimas. Elas são então metabolizadas pelo fígado e pelos rins. No entanto, em casos específicos, a lesão muscular pode ser tão significativa que a produção das enzimas atinge níveis que o organismo tem dificuldade em lidar. Em termos simples, a rabdomiólise ocorre quando a quantidade de enzimas gerada devido à ruptura das fibras musculares ultrapassa a capacidade natural do corpo de processá-las adequadamente. Quando treinamos muito intensamente, o músculo quebra mais e consequentemente os rins têm que filtrar mais. Isso gera um quadro de insuficiência aguda, as toxinas aumentam e a pessoa pode precisar de diálise ou até chegar à morte. Calculadora da atividade física: descubra se você se exercita o suficiente Pode acontecer com qualquer pessoa? O médico Fabrício Buzatto, membro da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE), explica que, em geral, o quadro depende do condicionamento físico e da exposição a atividades intensas. Segundo Buzatto, as pessoas sedentárias e iniciantes estão mais expostas, já que atletas geralmente tem o acompanhamento do desgaste do corpo antes de chegar a doença. Mas que isso não é uma regra e é preciso cuidado aos sinais do corpo durante qualquer tipo de atividade. “É multifatorial. Em geral, pode ocorrer com pessoas que nunca fizeram exercício, não estão com os exames em dia, que fazem exercícios exaustivos ou com uma sobrecarga muito grande da musculatura”, explica. Pesquisadora ficou internada após aula de pilates Sarah O'Shea/Pexels/Divulgação O risco é só para pessoas que praticam pilates? Os especialistas dizem que não e que qualquer atividade intensa, sem o preparo, alimentação e hidratação adequada podem causar a doença. Isso inclui: crossfit, funcional, aulas de spinning, futebol, musculação e até pilates. Todo treino que tem uma carga muito intensa, sem hidratação, o rim não dá conta de filtrar os metabólitos depois da lesão. Isso independe da atividade, é uma questão de intensidade. A médica Karina Hatano explica que no verão é preciso cuidado redobrado porque há muitas atividades intensas com apelo nesta época e pessoas com menos condicionamento estão mais suscetíveis. O que fazer para evitar? O médico Fabrício Buzatto explica que o principal ponto é reforçara hidratação antes e depois do exercício. Para além disso, não tentar atividades intensas se era uma pessoa sedentária, que não está acostumada àquele tipo de atividade e não forçar além do que pode suportar. Quando essas enzimas aumentam no sangue o importante é se manter bem hidratado para que o rim possa filtrar de forma eficaz, sem causar toxicidade. Hatano recomenda que as pessoas redobrem os cuidados para manter a ingestão de líquidos, sobretudo em ambientes quentes, como o Hot Yoga. E alerta que todas as ressalvas e dicas NÃO são um motivo para não fazer exercícios físicos. “Para não ter essa doença e tantas outras, a resposta é fazer atividade física. Um corpo com preparo, não vai passar por isso. O segredo é ter equilíbrio, começando com moderação, e com acompanhamento de um profissional e médico”, diz Hatano.

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